O exame de urina é extremamente útil no auxílio ao diagnóstico de doenças renais, do trato urinário e extrarrenais, como diabete e acidose metabólica. Em relação ao exame de urina, analise as afirmativas a seguir. I. É recomendado para exames de urina de rotina que, após a coleta da primeira urina da manhã, o paciente entregue a amostra em até 2 horas ou congele a urina para entrega em até 24 horas. II. Na análise de sedimento urinário, a cápsula de Cryptococcus pode ser evidenciada pelo uso de tinta da China (nanquim). III. Os métodos de detecção enzimática de glicose, como a glicose oxidase, devem ser evitados por sua baixa especificidade. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Errada, porque a amostra de rotina deve ser analisada rapidamente ou refrigerada, e não há recomendação geral de congelar para entrega em 24 horas.
- B)II, somente.
Certa, pois a tinta da China (nanquim) pode evidenciar a cápsula de Cryptococcus na análise microscópica.
- C)III, somente.
Errada, porque a glicose oxidase e outros métodos enzimáticos são justamente considerados específicos e úteis na detecção de glicose.
- D)II e III, somente.
Errada, porque a afirmativa III está incorreta e, sozinha, impede essa combinação.
- E)I, II e III.
Errada, porque as afirmativas I e III estão incorretas; apenas a II está correta.
Gabarito: B
O exame de urina, especialmente a EAS/urina tipo I, é um dos queridinhos da rotina porque ajuda a rastrear problemas renais, urinários e até alterações sistêmicas, como diabetes. Mas ele só é útil de verdade se a amostra for coletada e enviada do jeito certo, porque a urina “muda de humor” rápido fora do organismo: pH altera, células degeneram, bactérias proliferam e cristais podem aparecer ou desaparecer. Na afirmativa I, há problema: a primeira urina da manhã é mesmo muito usada, mas o ideal é encaminhar a amostra ao laboratório em até 2 horas após a coleta, mantendo-a refrigerada se houver atraso. Não se recomenda simplesmente congelar a urina para entrega em 24 horas como regra de rotina, porque isso pode prejudicar a avaliação do sedimento e de alguns analitos. A afirmativa II está correta. Na análise do sedimento urinário, a tinta da China (nanquim) é um método clássico para evidenciar a cápsula de Cryptococcus, fungo encapsulado que pode aparecer em amostras biológicas, inclusive urinárias em contextos específicos. É uma técnica simples, antiga e cobrada com gosto por banca porque parece “detalhe”, mas não é. Já a afirmativa III está errada. Os métodos enzimáticos para glicose, como a glicose oxidase, são justamente os preferidos por terem boa especificidade e sensibilidade no exame de urina. O erro aqui é inverter a lógica: eles não devem ser evitados por baixa especificidade; ao contrário, são amplamente utilizados na rotina laboratorial.