Os procedimentos de coleta, armazenamento e conservação das fezes são fundamentais para a eficiência do resultado do exame parasitológico. Um dos pontos a ser cuidadosamente observado é o tempo decorrido entre a coleta das amostras fecais e o início de sua análise, pois esse intervalo influi de maneira direta na identificação dos parasitos. As opções a seguir apresentam recomendações que garantem a identificação segura e correta dos parasitos intestinais, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Fezes liquefeitas ou diarreicas, sem preservação, devem ser examinadas imediatamente após a coleta, num prazo de até 30 minutos.
Certa, porque fezes líquidas ou diarreicas sem preservação devem mesmo ser examinadas o quanto antes, idealmente em até 30 minutos.
- B)Fezes formadas, não preservados, na impossibilidade de envio imediato ao laboratório, podem ser mantidas refrigeradas (3°C a 5°C) por até 24 horas.
Certa, porque fezes formadas sem preservação podem ser refrigeradas por curto período, em geral até 24 horas, quando não há envio imediato.
- C)Fezes pastosas para exame direto a fresco, devem ser examinadas dentro do prazo máximo de uma hora após a evacuação.
Certa, porque fezes pastosas para exame direto a fresco perdem qualidade rapidamente e devem ser analisadas dentro de até 1 hora.
- D)Fezes sólidas, coletada diretamente do vaso sanitário ou solo, devem ser preservadas em formol ou SAF para evitar a contaminação externa.
Errada, porque a coleta diretamente do vaso sanitário ou do solo não é recomendada, já que aumenta o risco de contaminação e compromete a amostra.
- E)Fezes coletadas em conservantes como solução de formaldeído, MIF e SAF, não necessitam de envio imediato ao laboratório e podem ser mantidas à temperatura ambiente.
Certa, porque amostras colocadas em conservantes como formaldeído, MIF e SAF podem ser mantidas à temperatura ambiente até o envio ao laboratório.
Gabarito: D
No exame parasitológico de fezes, o tempo entre a coleta e a análise faz muita diferença. Alguns parasitos e, principalmente, suas formas delicadas, começam a se alterar rapidamente fora do organismo, então a amostra precisa chegar logo ao laboratório ou ser preservada do jeito certo. Em fezes líquidas ou diarreicas, por exemplo, a pressa é ainda maior: o ideal é examinar o mais rápido possível, porque a mobilidade dos trofozoítos cai rápido. Quando não dá para analisar na hora, entram as estratégias de conservação: refrigeração por curto período para algumas amostras não preservadas e uso de conservantes como formol, MIF ou SAF. Esses meios ajudam a manter a morfologia dos parasitos e permitem que a amostra aguente melhor o transporte até o laboratório, sem virar uma corrida contra o relógio. A pegadinha clássica aqui é achar que qualquer fezes podem ser coletadas de qualquer lugar e depois "consertadas" no conservante. Não é bem assim. A coleta deve evitar contaminação por água, urina, solo e pelo vaso sanitário, porque isso prejudica a amostra e pode trazer elementos estranhos que atrapalham a leitura microscópica. Por isso, a alternativa D está errada: fezes sólidas coletadas diretamente do vaso sanitário ou do solo já vêm com risco de contaminação externa e não representam uma orientação correta de coleta. O problema não é apenas conservar depois, e sim garantir a coleta adequada desde o início.