Uma empresa de segurança observou que os pacotes transmitidos começaram a não chegar em seus destinos. Suas mensagens eram cifradas com o RSA e estavam sendo direcionadas para uma outra máquina intrusa. O responsável pela segurança foi informado e conseguiu invadir a máquina do destino dos pacotes e identificou que os pacotes sofriam ataques de temporização, ou seja, tentava identificar a variação de tempo em implementações da exponenciação modular (como no RSA). Para dificultar o ataque, foi utilizada a técnica de multiplicar o texto cifrado por um número aleatório antes de realizar a exponenciação. Em seu relatório, o responsável pela segurança descreveu a técnica usada como:
- A)tempo de exponenciação constante;
Errada, porque tempo de exponenciação constante seria uma defesa por padronização do tempo, e o enunciado fala em introduzir aleatoriedade antes da exponenciação.
- B)atraso aleatório;
Errada, porque atraso aleatório é uma técnica genérica de contramedida, mas o texto descreve uma forma específica de ofuscação por randomização do valor processado.
- C)análise eletromagnética simples;
Errada, porque análise eletromagnética simples é uma técnica de ataque por canal lateral, não a defesa usada no cenário.
- D)ofuscação;
Certa, porque ofuscação/blinding usa um fator aleatório para esconder a relação entre a entrada e o tempo de processamento na exponenciação modular.
- E)análise de potência simples.
Errada, porque análise de potência simples também é um ataque por canal lateral, e não uma técnica de proteção.
Gabarito: D
Quando o RSA é implementado de forma ingênua, a exponenciação modular pode vazar informação pelo tempo de execução. Em um ataque de temporização, o invasor mede pequenas variações no tempo gasto para tentar adivinhar bits da chave ou do processamento. Em segurança, o objetivo é fazer a conta ficar menos “falante”, ou seja, diminuir a relação entre o tempo e os dados manipulados. Uma técnica clássica para isso é a ofuscação: antes da exponenciação, embaralha-se a entrada com um fator aleatório, de modo que o padrão observado não revele diretamente o valor real processado. No RSA, isso pode ser feito com randomização do texto cifrado ou com técnicas de blinding, que escondem a relação entre a entrada e o tempo medido pelo atacante. É por isso que a alternativa D está correta. O enunciado descreve exatamente a ideia de tornar a operação menos previsível, inserindo aleatoriedade antes da exponenciação modular. Não é um nome “misterioso” da criptografia, é só o velho truque de colocar uma cortina na frente do relógio do atacante. As outras opções tentam confundir com ataques ou contramedidas diferentes. Aqui o foco não é canal eletromagnético nem potência, e também não é simplesmente atrasar tudo de forma fixa ou constante. O ponto central é a randomização para dificultar a análise do tempo de execução.