João, funcionário da PGM de Niterói, instalou intencionalmente um bot na rede interna da Procuradoria. A partir do controle obtido, instalou um malware que capturava as mensagens trafegadas na rede interna para decifrá-las. Após uma semana, o setor de segurança da informação identificou os códigos maliciosos e concluiu que estes faziam uma criptoanálise baseada em análise estatística. De forma a dificultar a criptoanálise executada por João, a Procuradoria deve:
- A)investigar a rede, de forma a diminuir a disponibilidade da informação trafegada, dificultando seu acesso pelo malware inserido na rede interna da Procuradoria;
Errada, porque reduzir disponibilidade da informação não dificulta criptoanálise estatística; isso trata de disponibilidade, não de robustez criptográfica.
- B)atribuir uma maior atenção à irretratabilidade, contribuindo para um melhor nível de auditoria sofrido pelos funcionários da Procuradoria, causando maior temor quanto à instalação de qualquer malware na rede interna;
Errada, porque irretratabilidade e auditoria dizem respeito a não repúdio e controle de autoria, não à proteção contra análise estatística de cifras.
- C)efetuar a instalação de antivírus baseados em assinatura e modificar o modo de operação do algoritmo para ECB (Eletronic codebook), de forma a evitar que novos ataques venham a ocorrer na rede interna da Procuradoria;
Errada, porque antivírus não resolve criptoanálise e o modo ECB é justamente fraco em vários cenários por preservar padrões do texto claro.
- D)revisar o "Termo de Uso" ou "Termo de Serviço", o qual define as regras de uso dos recursos computacionais, os direitos e as responsabilidades de quem os utiliza e as situações que são consideradas abusivas;
Errada, porque termo de uso regula comportamento e responsabilidades, mas não altera a segurança do algoritmo de criptografia nem sua resistência estatística.
- E)buscar algoritmos que elevem o nível de confusão, aumentando a complexidade do relacionamento estatístico do texto cifrado com a chave, e de difusão, de forma que cada dígito do texto claro afete o valor de muitos do texto cifrado.
Certa, porque confusão e difusão são os princípios clássicos para dificultar a análise estatística do texto cifrado e proteger a chave e o texto claro.
Gabarito: E
Quando a questão fala em criptoanálise baseada em análise estatística, ela está apontando para o ataque que explora padrões do texto cifrado para tentar descobrir a chave ou o texto claro. Em outras palavras: se o algoritmo deixa “rastros” estatísticos previsíveis, o atacante agradece. A defesa clássica, na teoria da criptografia, é justamente aumentar a confusão e a difusão, conceitos associados a Claude Shannon. Confusão é fazer a relação entre texto cifrado e chave ficar o mais complexa e embaralhada possível. Difusão é espalhar a influência de cada parte do texto claro por várias partes do texto cifrado, evitando padrões fáceis de explorar. Isso dificulta muito a criptoanálise estatística, porque reduz correlações e frequências úteis ao atacante. Por isso, a alternativa E está correta: ela descreve exatamente a estratégia de fortalecer o algoritmo para resistir a esse tipo de análise. Em concursos, sempre desconfie de respostas que falam em antivírus, termo de uso, auditoria ou disponibilidade, porque isso pode até ser importante na segurança geral, mas não enfrenta o problema criptográfico específico do enunciado. Em resumo: se o ataque usa estatística para quebrar a cifra, a defesa é aumentar confusão e difusão. É a dupla clássica da criptografia boa, aquela que não entrega o jogo para quem gosta de contar padrões.