O império austríaco jamais conseguiu alcançar a transmutação que fizera do império alemão um Estado capitalista. Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, ainda não havia controle parlamentar do governo imperial, nem primeiro-ministro, nem um sistema eleitoral uniforme. O império austríaco era a negação declarada do Estado nacional burguês: representava a antítese de um dos símbolos essenciais da ordem política capitalista na Europa. (Perry Anderson. Linhagens do Estado absolutista, 1998. Adaptado) De acordo com Perry Anderson, a eclosão da Primeira Guerra Mundial conduziu a trajetória do absolutismo austríaco
- A)a um processo de descentralização política e à conquista de direitos políticos e sociais por parte dos cidadãos.
Errada, porque a guerra não levou o império austríaco à descentralização democrática, mas sim a uma crise política profunda e ao colapso do antigo sistema imperial.
- B)à contínua expansão em direção ao Leste e à anexação da Sérvia, em função dos intensos conflitos nos Bálcãs.
Errada, porque a Áustria-Hungria não anexou a Sérvia; ao contrário, entrou em conflito com ela nos Bálcãs e acabou derrotada na guerra.
- C)à sua subordinação à liderança militar do Império Alemão e à impossibilidade de sobreviver à derrota na guerra.
Certa, porque o império ficou cada vez mais dependente da liderança militar alemã e não conseguiu sobreviver à derrota na Primeira Guerra Mundial.
- D)à sua crise terminal em função da revolta popular e à modernização capitalista liderada pela burguesia ascendente.
Errada, porque o processo não foi de modernização capitalista liderada pela burguesia, e sim de crise terminal e desagregação do império.
- E)ao seu fortalecimento político e à sua máxima extensão territorial decorrentes da vitória do Império na guerra.
Errada, porque a vitória não ocorreu; foi justamente a derrota na guerra que enfraqueceu e destruiu o Império Austro-Húngaro.
Gabarito: C
Perry Anderson está chamando atenção para uma ideia central: o Império Austríaco não tinha se transformado em um Estado nacional burguês moderno, como ocorreu em partes da Europa ocidental. Ou seja, ele continuava marcado por estruturas políticas arcaicas, com forte centralização imperial e pouca participação parlamentar real. Isso ajuda a entender por que ele era visto como uma espécie de peça fora do lugar no tabuleiro europeu do início do século XX. Quando a Primeira Guerra Mundial começa, esse império já entra fragilizado. Ele dependia cada vez mais do apoio do Império Alemão, que tinha maior força militar, econômica e política. Na prática, a Áustria-Hungria foi ficando subordinada à liderança alemã, especialmente na condução da guerra e nas decisões estratégicas. Não era um império caminhando para a modernização liberal, mas um velho edifício tentando se sustentar com muletas. Por isso, o gabarito é a letra C. A guerra não fortaleceu de verdade a trajetória do absolutismo austríaco; ela expôs sua fragilidade e sua dependência externa. A derrota de 1918 selou a impossibilidade de sobrevivência daquele arranjo político, culminando na dissolução do Império Austro-Húngaro e no surgimento de novos Estados nacionais na Europa Central. Em outras palavras: a Primeira Guerra foi o teste final de um império que já estava em crise estrutural. E, quando o teste veio, ele não resistiu.