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Historia Mundial · FUNCERN · 2024

Questão comentada de Historia Mundial

Considere os trechos I e II. TRECHO I O paradoxo aparente do absolutismo na Europa ocidental era que ele representava fundamentalmente um aparelho de proteção da propriedade dos privilégios aristocráticos. Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista. p. 18 e 39. Adaptado TRECHO II A Constituição revolucionária francesa de 1791 estabeleceu a monarquia constitucional e consagrou a divisão de poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário. Porém, (...) estabeleceu que, para ser eleitor e elegível, o indivíduo deveria possuir uma renda bastante alta, o que excluía dessa condição pessoas de vida modesta. KOSHIBA, Luiz. História, origens, estruturas e processos. São Paulo: Atual, 2000, p. 324 O trecho II indica uma transformação das estruturas político-sociais na transição para o mundo contemporâneo em relação ao texto I

Gabarito: D

O enunciado compara dois momentos históricos bem diferentes. No trecho I, o absolutismo aparece como um sistema em que o rei concentra poder, mas esse poder não nasce do nada: ele ajuda a manter a ordem social e a proteger os interesses da nobreza, especialmente a propriedade e os privilégios aristocráticos. Em outras palavras, o Estado absoluto não era “neutro”; ele funcionava como um aliado da estrutura social tradicional. Já o trecho II mostra a França revolucionária caminhando para o mundo contemporâneo, com monarquia constitucional, separação de poderes e ideias liberais. Só que, na prática, esse liberalismo era restrito: para votar ou ser eleito, a pessoa precisava ter renda alta. Então, a antiga restrição baseada no nascimento e na posição de estamento vai cedendo lugar a outra forma de exclusão, agora ligada à riqueza. É exatamente isso que a alternativa D capta: há uma mudança das formas de restrição sociopolítica, saindo do privilégio aristocrático de origem para um critério material de riqueza. Ou seja, mudou a regra do jogo, mas o acesso ao poder continuou limitado. A Revolução Francesa abriu a porta da cidadania moderna, mas não escancarou tudo de uma vez. Vale lembrar que isso combina com a lógica do liberalismo censitário, muito comum no século XIX: direitos políticos condicionados à renda ou ao patrimônio. Então, a transição para a modernidade política não significou democracia plena imediata, e sim uma nova seleção dos que podiam participar.

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