O Real Forte Príncipe da Beira foi edificado pelos portugueses às margens do Rio Guaporé no século XVIII. Situava-se na então Capitania de Mato Grosso, a oeste da demarcação do Tratado de Tordesilhas. Sua principal finalidade foi
- A)servir como entreposto comercial para o escoamento de ouro e diamantes extraídos na região, fortalecendo a economia da colônia.
Errada, porque o forte não foi criado como entreposto comercial para escoar ouro e diamantes, e sim como estrutura militar de defesa territorial.
- B)estabelecer uma missão religiosa jesuítica, com o objetivo de converter e integrar os povos amazônicos à sociedade colonial portuguesa.
Errada, pois não se tratava de missão jesuítica nem de catequese indígena, mas de um posto fortificado de ocupação e proteção da fronteira.
- C)proteger as fronteiras contra as incursões de corsários franceses e ingleses, que ameaçavam a soberania portuguesa na Amazônia.
Errada, porque a ameaça principal na região não era de corsários franceses e ingleses, e sim da disputa territorial com a Espanha.
- D)garantir a soberania portuguesa sobre a região fronteiriça e impedir avanços espanhóis, consolidando o domínio lusitano na área.
Certa, porque o forte foi construído para afirmar a presença portuguesa e barrar o avanço espanhol na fronteira oeste da colônia.
- E)controlar e fiscalizar o fluxo de escravos indígenas e africanos no interior da colônia, assegurando o abastecimento de mão de obra para as fazendas.
Errada, já que o objetivo do forte não era controlar fluxo de escravos, mas defender e consolidar a ocupação lusitana do espaço fronteiriço.
Gabarito: D
O Real Forte Príncipe da Beira foi uma fortificação portuguesa construída no século XVIII na região do rio Guaporé, em uma área de fronteira muito sensível. Na prática, ele fazia parte da estratégia de ocupação do interior e de defesa do território, especialmente porque essa zona ficava além da linha de Tordesilhas e era disputada com a Espanha. No período colonial, Portugal não queria apenas “marcar presença no mapa”: queria ocupar, defender e consolidar o domínio sobre áreas que poderiam ser questionadas por outras potências ibéricas. Por isso, fortes como esse tinham função militar e geopolítica, não comercial, missionária ou de controle de mão de obra. É aí que entra o gabarito D. O objetivo principal do Real Forte Príncipe da Beira era garantir a soberania portuguesa sobre a região fronteiriça e impedir o avanço espanhol, reforçando o domínio lusitano na área. Em outras palavras: era um tijolo com função estratégica, não um entreposto, nem uma missão, nem um porto de fiscalização. Esse tipo de obra se encaixa na lógica colonial de ocupação do território, muito ligada ao princípio do uti possidetis, pelo qual a posse efetiva da terra ajudava a definir o domínio nas disputas de fronteira. Em prova, quando aparecer forte, fronteira e disputa luso-espanhola, pense primeiro em defesa territorial.