O populismo é intrinsecamente instável porque se estrutura na cooperação entre classes e no obscurecimento dos interesses divergentes desses grupos. Em períodos difíceis, quando se prova ser impossível satisfazer a todos os participantes do pacto populista, o sistema entra em colapso, vítima de suas próprias contradições. Fonte: WALKER, Thomas. O surgimento do populismo no Brasil: Um estudo do Município de Ribeirão Preto. R. Ci. pol., Rio de Janeiro, 21 (4) :73-94, out./dez. 1978, p. 75. Embora o termo “populismo” seja objeto de debates entre cientistas políticos e historiadores, é correto afirmar que se trata de um movimento político conhecido por
- A)focar em uma abordagem técnica para tomar decisões políticas e administrativas.
Errada, porque tecnicismo e decisão política puramente técnica remetem mais à burocracia ou tecnocracia, não ao populismo.
- B)adotar o isolacionismo econômico nacional para proteger e fortalecer o mercado interno.
Errada, pois o populismo não se define por isolacionismo econômico, embora alguns governos possam combinar populismo com nacionalismo ou intervenção estatal.
- C)empregar exclusivamente recursos públicos para implementar políticas assistencialistas, desprezando o capital privado.
Errada, porque populismo não é assistência pública exclusiva nem rejeição automática ao capital privado; em geral, ele articula diferentes interesses sociais.
- D)buscar fortalecer o poder das oligarquias tradicionais por meio da preservação de seus privilégios políticos e econômicos.
Errada, já que preservar privilégios das oligarquias é traço do coronelismo e do mando tradicional, não do populismo.
- E)visar ampliar a participação social na esfera política, promovendo o engajamento das camadas populares.
Certa, porque o populismo busca mobilizar e integrar as camadas populares na vida política, geralmente por meio de liderança carismática e apelo direto às massas.
Gabarito: E
O populismo, especialmente no debate sobre a política latino-americana do século XX, costuma ser associado a líderes e governos que tentam criar uma ligação direta com as massas urbanas e trabalhadoras, usando discurso de inclusão, apelo emocional e forte presença do Estado. A ideia central é ampliar a participação popular na vida política, ainda que isso nem sempre ocorra por meio de instituições muito estáveis ou de democracia plenamente consolidada. No caso brasileiro, o populismo ficou ligado a figuras como Getúlio Vargas e, em outros contextos, a líderes que mobilizavam trabalhadores, sindicatos e setores populares por meio de concessões sociais, direitos trabalhistas e propaganda política. Ou seja, não se trata de uma política técnica e neutra, mas de uma forma de articulação que busca apoio social amplo, especialmente das camadas populares. É por isso que a alternativa E está correta: o populismo visa ampliar a participação social na esfera política, promovendo o engajamento das camadas populares. O problema é que essa inclusão muitas vezes é mediada por forte liderança pessoal e por acordos entre grupos sociais diferentes, o que explica a instabilidade apontada no enunciado. Em termos doutrinários, isso aparece nos estudos clássicos sobre populismo na América Latina, que destacam a relação direta líder-massas e o uso político da integração popular. As demais alternativas fogem do sentido histórico do conceito. Populismo não é sinônimo de tecnocracia, isolacionismo econômico, assistencialismo exclusivo nem defesa das oligarquias tradicionais. A palavra pode até ser usada de forma ampla em outros contextos, mas, em História, o núcleo da ideia é a incorporação política das massas com forte apelo social e liderança centralizada.