Observe as imagens a seguir. A imagem I é uma charge que retrata o rei Luís XIV da França no centro, flanqueado por dois personagens vestidos com trajes nobres. Na imagem II mostra D. Pedro II aos 12 anos, trajando uma vestimenta de gala, com uma aparência que sugere maior idade. As opções a seguir descrevem corretamente a análise das duas imagens, de acordo com a representação dos monarcas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)As duas imagens sugerem que a construção da autoridade do monarca é acompanhada por estratégias visuais, que buscam reforçar o seu poder.
Certa, porque mostra que a autoridade monárquica era reforçada por estratégias visuais planejadas.
- B)As duas imagens sugerem que as representações dos monarcas foram elaboradas com intenções deliberadas e com objetivos políticos.
Certa, pois as imagens de soberanos eram produzidas com intenção política clara de legitimar o poder.
- C)As duas imagens sugerem que a construção da figura dos monarcas era um processo que envolvia a participação de outras pessoas.
Certa, já que a construção da figura régia envolvia artistas, cortesãos, conselheiros e outros agentes.
- D)As duas imagens sugerem a dualidade entre os corpos políticos e simbólico dos soberanos e seus corpos humanos e mortais.
Certa, porque remete à ideia dos dois corpos do rei, o corpo físico e o corpo simbólico/político.
- E)As duas imagens sugerem que a representação do poder dos soberanos é algo natural, que dispensa signos externos para sua expressão, refletindo o conceito de absolutismo.
Errada, porque o poder do soberano não se apresenta de forma natural e dispensa símbolos; ao contrário, depende de representação e encenação.
Gabarito: E
Essa questão trabalha com uma ideia central da História política: o poder do monarca não aparece “nu” e espontâneo, ele é construído e encenado por imagens, ritos, roupas, poses e símbolos. Em monarquias como a de Luís XIV, o rei não era só uma pessoa, mas uma figura pensada para parecer superior, eterna e quase sagrada. Por isso, a visualidade tinha função política: a imagem ajudava a convencer, impressionar e legitimar o poder. No caso de D. Pedro II quando criança, também há uma fabricação da imagem do soberano. A vestimenta de gala e a aparência mais adulta não são detalhes inocentes: servem para reforçar autoridade desde cedo e transformar o menino em símbolo de continuidade do Estado. Ou seja, a representação não é natural; ela é cuidadosamente montada. É justamente aí que a letra E escorrega. Ela afirma que a representação do poder é algo natural e que dispensa signos externos. Isso vai contra tudo o que as imagens sugerem. O poder monárquico depende de signos externos - coroa, roupas, postura, cerimônia, retrato oficial - porque precisa ser visto e reconhecido como poder. Na linguagem da teoria política, especialmente em Kantorowicz, aparece a distinção entre o corpo natural do rei e seu corpo político, ideia bem útil para entender a questão. Então, a resposta correta é a E porque ela nega a dimensão simbólica e construída da monarquia. Em história, monarca sem encenação pública fica muito perto de rei de conto de fadas sem roupa de gala: perde justamente o que faz a imagem funcionar.