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Historia Mundial · FGV · 2025

Questão comentada de Historia Mundial

Leia o trecho a seguir. Um grande manto de florestas e charnecas cortado por clareiras cultivadas, mais ou menos férteis, tal é o aspecto da Cristandade – algo diferente do Oriente muçulmano, mundo de oásis em meio a desertos. Num local a madeira é rara e as árvores indicam a civilização, noutro a madeira é abundante e sinaliza a barbárie. A religião, que no Oriente nasceu ao abrigo das palmeiras, cresceu no Ocidente em detrimento das árvores, refúgio dos gênios pagãos que monges, santos e missionários abatem impiedosamente. Aqui, o progresso liga-se ao arroteamento, à luta e vitória sobre a mata cerrada, sobre os arbustos ou, quando necessário e o equipamento técnico e a coragem o permitem, sobre os bosques, sobre a floresta virgem. Mas a realidade palpitante é marcada por um conjunto de clareiras mais ou menos vastas, que correspondem a células econômicas, sociais e culturais. Por muito tempo o Ocidente medieval foi um aglomerado, uma justaposição de domínios, de castelos e de cidades surgidos no meio de extensões incultas e desertas. O deserto, aliás, era então a floresta. La se refugiavam os adeptos voluntários ou involuntários da fuga mundi. Eremitas, amantes, cavaleiros errantes, malfeitores, foras da lei. Adaptado de LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente Medieval. Caxias do Sul: Edusc, 2005 pp. 123-124. Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o imaginário medieval ocidental entendia as florestas como espaços de

Gabarito: D

No imaginário medieval ocidental, a floresta não era vista como um parque de lazer nem como um espaço “bonito” a ser preservado, como pensaríamos hoje. Ela aparecia, muitas vezes, como lugar de perigo, desordem e afastamento da vida coletiva organizada. Em autores como Jacques Le Goff, a floresta é quase o contrário da clareira: enquanto a clareira abriga aldeias, castelos, campos e relações sociais, a mata representa o que está fora da ordem humana. Por isso, o trecho destaca que o “deserto” medieval era a floresta. Esse era o espaço de fuga mundi, isto é, de quem se retirava do mundo: eremitas, santos, monges, aventureiros, marginalizados, foras da lei e outros personagens que não se encaixavam na comunidade política e social. A floresta, então, funcionava como refúgio dos que estavam fora do centro da vida organizada e cristã. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Ela traduz a ideia de abrigo para os que estavam fora da comunidade política, ou seja, fora da ordem social dominante. O texto não fala de progresso, de ordenamento ou de preservação, mas de um espaço associado à margem, ao isolamento e à alteridade. Em resumo: no medievo, a floresta era menos “cenário de passeio” e mais “zona de escape”. Para o homem medieval, entrar na mata era sair do mundo conhecido e, muitas vezes, se aproximar do perigo, do sagrado ou do proibido.

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