Os estudos históricos sobre a escravidão no Brasil passaram por diversas renovações, ampliando a compreensão sobre as diferentes formas de ser escravizado no período colonial. Entre essas formas, destacavam-se a condição de escravos de ganho. Assinale a opção que descreve corretamente essa condição.
- A)Os escravizados que trabalhavam e geravam a maior parte dos lucros para seus proprietários, em comparação com os demais e, por isso, tinham um alto valor de mercado.
Errada, porque descreve um escravizado muito lucrativo para o senhor, mas não define a condição de escravo de ganho.
- B)Os escravizados que eram oferecidos como presentes pelos seus proprietários em ocasiões especiais, como a assinatura de contratos comerciais entre negociantes.
Errada, pois não existia essa prática como categoria histórica da escravidão brasileira.
- C)Os escravizados que trabalhavam, principalmente em cidades, prestando diversos serviços a terceiros e entregando parte de sua renda aos seus proprietários.
Certa, porque os escravizados de ganho atuavam principalmente nas cidades, prestando serviços e entregando parte da renda ao proprietário.
- D)Os escravizados, homens que eram obrigados a participar de lutas e combates corporais para entreter seus proprietários.
Errada, porque isso remete a entretenimento ou combate, e não ao trabalho urbano remunerado característico do ganho.
- E)Os escravizados idosos que, embora isentos do trabalho nas lavouras e no ambiente doméstico, permaneciam sem direito à liberdade.
Errada, pois a descrição mistura idade e restrição ao trabalho, mas não corresponde à categoria de escravo de ganho.
Gabarito: C
A escravidão no Brasil não era uma experiência única e uniforme. Ao longo dos estudos históricos, ficou claro que os escravizados podiam atuar em lavouras, casas urbanas, oficinas, portos e até em trabalhos autônomos supervisionados pelos senhores. Essa diversidade ajuda a entender por que a escravidão urbana ganhou tanta atenção da historiografia mais recente. Os chamados escravos de ganho eram, em geral, escravizados que circulavam sobretudo nas cidades prestando serviços variados, como vender mercadorias, carregar volumes, fazer fretes, lavar roupa, costurar e outras tarefas. Eles entregavam ao proprietário uma quantia diária ou semanal, chamada de ganho, e podiam ficar com o que sobrasse. Era uma forma de trabalho extremamente explorada, mas com alguma mobilidade em relação ao cativeiro rural tradicional. Por isso, a alternativa C está correta: ela descreve exatamente o escravizado que trabalhava para terceiros e repassava parte da renda ao senhor. Esse tipo de arranjo foi muito comum em centros urbanos como Rio de Janeiro, Salvador e Recife, e aparece com frequência nos estudos sobre escravidão urbana e economia de ganho. As outras alternativas misturam características diferentes da escravidão ou inventam situações sem base histórica. Em prova, a banca costuma cobrar o nome correto da prática e o ambiente em que ela ocorria, então vale decorar a lógica: escravo de ganho é, em regra, escravizado urbano que gera renda direta por serviços prestados.