Leia o trecho a seguir. Comparações e conexões são dois meios muito diferentes de cruzar limites. As comparações visam transcender a unidade única e fechada de análise para contrastar entre duas ou mais unidades para destacar diferenças e/ou semelhanças, para testar atribuições casuais ou para formular um padrão ou generalização. A outra forma importante de transcender fronteiras é conectar unidades que são geralmente abordadas separadamente e sublinhando os laços em jogo entre eles. Neste caso, os limites são ultrapassados substancialmente, em vez de analiticamente, já que o cruzamento é indispensável para definir uma unidade de análise maior do que o normal ou o próprio objeto de pesquisa. Adaptado de: OLSTEIN, Diego. Thinking History Globally. New York: Palgrave Macmillan, 2015, p. 59. Com base na leitura do trecho, analise as afirmativas a seguir, que apresentam definições de História Comparada e de História Conectada. I. A História Comparada estuda duas ou mais unidades de análise histórica para encontrar afinidades ou divergências entre elas. II. A História Conectada examina uma única unidade de análise histórica para aprofundar o estudo e torná-lo mais específico. III. A História Comparada e a História Conectada são metodologias idênticas, pois buscam relacionar diferentes unidades de análise históricas. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Correta, porque apenas a afirmativa I define adequadamente a História Comparada.
- B)I e II, apenas.
Errada, porque a II não descreve a História Conectada e a I sozinha já bastaria.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque a III é falsa ao dizer que História Comparada e História Conectada são metodologias idênticas.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque a II está incorreta e a III também não corresponde à distinção conceitual entre os métodos.
- E)I, II e III.
Errada, porque a II e a III apresentam definições equivocadas e não podem ser aceitas.
Gabarito: A
A questão cobra a diferença clássica entre História Comparada e História Conectada, um par que a FGV adora colocar lado a lado para ver se você não confunde as lentes de análise. Na História Comparada, o foco é colocar duas ou mais unidades históricas em paralelo para identificar semelhanças, diferenças, padrões e possíveis explicações. É como comparar dois filmes para entender o que muda no enredo, no contexto e no resultado. Já a História Conectada não quer apenas pôr lado a lado: ela quer mostrar as ligações, as circulações, as trocas e as interdependências entre unidades que muitas vezes eram estudadas separadamente. Em vez de olhar só para o contraste, ela destaca os vínculos que cruzam fronteiras e ajudam a formar uma unidade de análise maior. Essa é justamente a ideia do trecho de Diego Olstein. Por isso, a afirmativa I está correta: ela descreve exatamente a História Comparada, ao falar de duas ou mais unidades de análise histórica para achar afinidades ou divergências. A afirmativa II está errada, porque ela atribui à História Conectada a ideia de estudar uma única unidade de forma isolada e mais específica, o que não corresponde ao conceito. A afirmativa III também está errada, porque as duas metodologias não são idênticas: elas até podem dialogar, mas partem de objetivos diferentes. Então, o gabarito A está certo porque apenas a I reproduz corretamente a definição de História Comparada. Em termos doutrinários, a distinção é bem conhecida na historiografia contemporânea: comparar não é o mesmo que conectar, e a banca costuma explorar exatamente essa diferença de foco e de método.