Analise o fragmento a seguir: As principais reivindicações desse movimento emancipacionista consistiam na propagação da liberdade econômica, no fim da discriminação conforme a etnia ou função social e na abertura dos portos. Seus membros pregavam um governo republicano “democrático, livre e independente.” Nos primeiros momentos, o movimento era composto por pequenos grupos de insatisfeitos e simpatizantes do iluminismo francês, como Cipriano Barata, porém, com a publicação de pasquins, aumentou a participação das camadas populares, sobretudo de negros livres que atuavam como alfaiates, soldados e meeiros. O trecho se refere à
- A)Conjuração de colonos e franciscanos contra o donatário pero do Campo Tourinho (Porto Seguro, 1546).
Errada: essa conjuração em Porto Seguro não corresponde ao movimento descrito, que é do fim do século XVIII e tem forte conteúdo social e republicano.
- B)Conjuração e deposição do governador xumbergas (Olinda, 1666).
Errada: não existe esse movimento histórico com essas características, e o enunciado trata de uma revolta baiana de 1798.
- C)Inconfidência baiana (Salvador, 1789).
Certa: o texto descreve a Conjuração Baiana, marcada por ideias igualitárias, republicanas e participação popular em Salvador.
- D)Inconfidência mineira (Vila Rica, 1789).
Errada: a Inconfidência Mineira foi um movimento elitizado, centrado em Vila Rica e sem a mesma amplitude popular e racial.
- E)Inconfidência carioca (Rio de janeiro, 1794).
Errada: não houve uma Inconfidência Carioca em 1794 com esse perfil; a descrição corresponde ao movimento baiano.
Gabarito: C
O trecho descreve a Conjuração Baiana, também chamada de Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, movimento emancipacionista ocorrido em Salvador, em 1798. Ele tinha um tom mais radical do que outras rebeliões coloniais porque defendia liberdade econômica, igualdade racial e social, além da criação de uma república independente. Em outras palavras: não era só reclamar dos impostos, era querer mudar a estrutura da sociedade. Um ponto importante é a participação popular. Diferentemente de movimentos mais elitizados, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana contou com a adesão de setores urbanos pobres, especialmente negros livres, soldados, alfaiates e artesãos. A circulação de pasquins ajudou a espalhar as ideias e a ampliar o apoio ao movimento, que sofreu forte repressão antes de se consolidar. O nome mais citado nesse contexto é o de Cipriano Barata, ligado à difusão de ideias ilustradas e à agitação política na Bahia. O ambiente era de influência iluminista, crítica ao exclusivismo colonial e defesa de liberdade e autonomia. Por isso, o gabarito é a letra C: trata-se da Inconfidência baiana, isto é, da Conjuração Baiana. Se você quiser guardar uma regra prática: quando aparecer igualdade racial, participação popular mais ampla e Salvador no fim do século XVIII, pense imediatamente nessa revolta. Já se o enunciado falar em elite letrada, ouro e Vila Rica, aí o caminho é outro.