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Historia Mundial · FGV · 2023

Questão comentada de Historia Mundial

Segundo a historiadora Maria Ligia Prado, “Varnhagen e von Martius, ideólogos do Império, escreveram a história oficial do Brasil, e defendiam a monarquia que se opunha às ‘repúblicas caóticas’ da parte espanhola. Dessa maneira, estava clara a diferença que se devia estabelecer entre ‘nós’ e ’eles’, entre o Brasil e os demais países da América do Sul, onde campeavam a desordem, a desunião e a fragmentação, todas alimentadas pelas ideias republicanas”. Adaptado de PRADO, Maria Ligia. O Brasil e a distante América do Sul. In Revista de História, 145, 2001, p. 131-2. A respeito das diferentes trajetórias das nações latinoamericanas após suas independências, com base no trecho citado, é correto afirmar que

Gabarito: C

A questão gira em torno de uma diferença importante na construção das identidades políticas na América Latina depois das independências. No caso brasileiro, autores como Varnhagen e von Martius ajudaram a montar uma narrativa oficial que valorizava a monarquia e a estabilidade, em contraste com o cenário hispano-americano, visto por eles como mais instável, fragmentado e “republicano demais”. Isso não significa que os países da América espanhola fossem simplesmente “caóticos” por natureza. Esse era justamente o olhar criado por parte da elite imperial brasileira para marcar distância entre o Brasil e os vizinhos. Em outras palavras, a historiografia oficial do Império ajudou a produzir um imaginário de separação entre o Brasil e a América Hispânica. Por isso, o gabarito é a letra C. O trecho de Maria Ligia Prado mostra que a história escrita por esses ideólogos não era neutra: ela servia para legitimar o modelo monárquico brasileiro e, ao mesmo tempo, desenhar uma fronteira simbólica com os demais países sul-americanos. Esse tipo de construção identitária é muito cobrado pela FGV, que adora uma comparação entre Brasil e mundo hispânico. Em resumo: o ponto central não é um fato militar específico nem uma avaliação genérica das repúblicas, mas a criação de um discurso histórico que separava “nós” e “eles”. É a história funcionando também como ferramenta política, e não apenas como memória de gaveta.

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