Para todos os efeitos, percebe-se como os tempos que estavam sendo reinventados no Brasil das décadas de 1810 e 1820 mesclavam concepções antigas e novas, promovendo continuidades e rupturas de acordo com as particularidades daquele contexto no qual, definitivamente, a Independência, personificada por D. Pedro, se constituía como uma revolução do tempo. PIMENTA, João Paulo. As revoluções de independência como revoluções do tempo: almanaques, calendários e cronologias no Brasil do século XIX, Revista Tempo, 27 (1), 2021. Adaptado. A Independência foi vivenciada, por seus contemporâneos como um momento de ruptura e início de um novo tempo, em função das mudanças que a acompanhavam. Assinale a opção que identifica corretamente um dos efeitos da Independência do Brasil.
- A)Mudança da casa nobiliárquico-governativa.
Errada: houve mudança de dinastia e de centro político, mas a formulação é imprecisa e não aponta um efeito histórico clássico da Independência.
- B)Democratização do sistema político de governo.
Errada: a Independência não democratizou o sistema político, que continuou restrito e controlado pelas elites.
- C)Estabelecimento de armistício na sociedade brasileira.
Errada: não houve um armistício social, porque as tensões entre grupos e a desigualdade estrutural continuaram.
- D)Endividamento do país com a Inglaterra.
Certa: a Independência trouxe custos políticos e econômicos, e o Brasil saiu do processo com forte endividamento e dependência da Inglaterra.
- E)Fim do monopólio comercial português.
Errada: o fim do monopólio comercial português ocorreu com a abertura dos portos em 1808, antes da Independência.
Gabarito: D
A Independência do Brasil não foi um “passe de mágica” institucional: ela rompeu com o vínculo colonial, mas preservou várias estruturas de poder, como a monarquia, a escravidão e a influência das elites locais. Por isso, o período misturou novidade e continuidade, exatamente como o texto sugere ao falar em “revolução do tempo”. Entre os efeitos mais importantes da Independência, um dos mais lembrados é o custo financeiro do novo Estado. O Brasil precisou organizar sua soberania, manter a máquina administrativa e lidar com pressões externas, especialmente da Inglaterra, que tinha forte peso econômico e diplomático no processo. Isso gerou endividamento, algo bem típico de um país que nascia politicamente livre, mas com o bolso já comprometido. Além disso, a Independência não significou democratização ampla nem fim imediato das tensões sociais. A vida política continuou restrita, com participação limitada, e a ordem social permaneceu profundamente desigual. Ou seja: houve ruptura com Portugal, mas não uma revolução social completa. Por isso, o gabarito D está correto: o novo Império brasileiro nasceu endividado e dependente de recursos e acordos que o aproximaram da órbita inglesa. Em provas de História do Brasil, a FGV adora cobrar essa ideia de independência política com permanências econômicas e sociais.