Leia a nota introdutória da revista Cultura Política de setembro de 1941 criada durante o Estado Novo, e que tinha como uma de suas funções comunicar a política cultural do regime. A ordem social, a paz, o trabalho, a tolerância política favorecem o desenvolvimento de todas as capacidades criadoras da coletividade. A vida popular conquista um mais alto nível de estabilidade. Usos, costumes, artes, literatura, ciências adquirem um impulso novo de verdadeira floração intelectual e estética. Estas páginas refletem esse espetáculo extraordinário de renascimento do Brasil Novo. Elas constituem um depoimento vivo e irretorquível do espírito de paz, de concórdia, de tolerância e de unidade que hoje desfrutamos. Fonte: GOMES, Ângela de Castro. História e Historiadores. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2013. Com base no trecho, assinale a opção que apresenta, corretamente, o recurso utilizado pela política cultural do Estado Novo para a construção da identidade nacional.
- A)A divulgação de estímulos estatais, como propaganda política, para engendrar a tradição nacional.
Certa, porque o Estado Novo usou propaganda e ações culturais oficiais para difundir uma imagem de nação unificada e tradicional.
- B)A valorização das diferenças históricas socioculturais internas para a construção da identidade nacional.
Errada, porque o regime não valorizava a pluralidade interna como base da identidade nacional, mas sim a homogeneização e a unidade.
- C)A predileção pelo espaço geográfico em relação ao tempo histórico para conformação do significado de nação.
Errada, porque a questão trata de construção ideológica e cultural da nação, e não de uma preferência do espaço geográfico sobre o tempo histórico.
- D)A elaboração dos referenciais nacionais de maneira que fossem comunicáveis aos setores políticos.
Errada, porque a cultura política do Estado Novo não buscava apenas comunicar referências aos setores políticos, mas mobilizar toda a sociedade por meio da propaganda.
Gabarito: A
O Estado Novo, especialmente sob Getúlio Vargas, investiu pesado em propaganda e na produção de uma imagem de unidade nacional. A ideia era simples, embora bem ensaiada: se o regime queria parecer a própria cara do Brasil, precisava mostrar ordem, paz, trabalho e concórdia como se isso fosse a essência natural da nação. É aí que entram os órgãos de comunicação oficial, como revistas, rádio e materiais de divulgação, que ajudavam a “contar” o país do jeito que o governo queria. No trecho da revista Cultura Política, percebe-se exatamente esse movimento. O texto fala em “renascimento do Brasil Novo”, “espírito de paz” e “unidade”, como se o Estado Novo fosse o responsável por harmonizar a sociedade e organizar a identidade nacional. Não é uma descrição neutra do Brasil, mas uma construção simbólica feita pelo poder público para legitimar o regime. Por isso, o recurso central foi a propaganda política associada à difusão de valores e símbolos nacionais. O governo não só administrava o Estado, como também tentava moldar a memória, a cultura e a sensação de pertencimento coletivo. Em linguagem de prova: a política cultural servia para engendrar uma tradição nacional apresentada como espontânea, mas cuidadosamente fabricada. Assim, o gabarito A está correto porque identifica justamente esse uso de propaganda estatal para construir uma ideia de nação, típica do Estado Novo e muito cobrada em História do Brasil.