Como os povos originários do Brasil lidaram com a colonização, que queria acabar com o seu mundo? Quais estratégias esses povos utilizaram para cruzar esse pesadelo e chegar ao século XXI ainda esperneando, reivindicando e desafinando o coro dos contentes? Vi as diferentes manobras que os nossos antepassados fizeram e me alimentei delas, da criatividade e da poesia que inspirou a resistência desses povos. KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 1° ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 20. Ailton Krenak defende no texto a ideia de que os povos originários do Brasil
- A)entregaram-se ao sistema colonial sem resistência.
Errada, porque os povos originários não se entregaram passivamente ao sistema colonial; houve resistência constante, inclusive cultural e política.
- B)tornaram-se miscigenados despreocupados com a ancestralidade indígena.
Errada, porque a miscigenação não apaga necessariamente a ancestralidade indígena, e o texto valoriza justamente a permanência dessa memória.
- C)mobilizaram-se em torno da arte em contraposição à colonialidade.
Certa, porque o trecho destaca a criatividade, a poesia e as formas simbólicas de resistência como resposta à colonialidade.
- D)alteraram-se conforme as normas da sociedade brasileira para sobreviver.
Errada, porque a ideia não é de simples adaptação às normas da sociedade brasileira, mas de enfrentamento e preservação de identidades próprias.
- E)lançaram-se por caminhos ditados pela metrópole portuguesa.
Errada, porque o texto aponta caminhos criados pelos próprios povos indígenas, e não trajetórias impostas pela metrópole portuguesa.
Gabarito: C
Ailton Krenak está falando da resistência dos povos originários diante da colonização, que tentou apagar modos de vida, línguas, territórios e memórias. No texto, ele destaca que esses povos sobreviveram porque criaram estratégias diversas, inclusive simbólicas e culturais, para seguir existindo sem abrir mão da própria identidade. Quando ele menciona a criatividade e a poesia como alimento da resistência, a ideia central é que a luta indígena não foi só armada ou territorial. A arte, a oralidade, os rituais, os cantos e a produção simbólica funcionaram como formas de manter viva a visão de mundo indígena e de enfrentar a colonialidade, isto é, a imposição de um padrão europeu sobre outros modos de vida. Por isso, a alternativa correta é a letra C. Ela traduz bem essa mobilização em torno da arte como contraponto à colonialidade. Em Krenak, a sobrevivência indígena passa pela preservação da diferença, pela memória coletiva e pela criação de formas próprias de resistência, em vez de uma simples adaptação passiva ao projeto colonial. Em termos históricos e doutrinários, isso dialoga com a ideia de resistência cultural e com a valorização constitucional dos povos indígenas no Brasil, especialmente o art. 231 da Constituição Federal, que reconhece sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. A mensagem do autor é justamente que esses povos não desapareceram porque continuaram inventando modos de permanecer.