“A queda do Muro de Berlim e a implosão da União Soviética, entre 1989 e 1991, assinalaram o encerramento da Guerra Fria. "Globalização" e "nova ordem mundial" são os rótulos comumente utilizados para designar os resultados do triunfo do Ocidente. Cada um deles diz algo sobre o cenário global do pós-Guerra Fria. Contudo, eles pouco esclarecem sobre a estrutura de poder do sistema internacional que se esboça no início do século XXI.” MAGNOLI, DEMÉTRIO. O mundo contemporâneo. Os grandes acontecimentos mundiais da Guerra Fria aos nossos dias – 3ª Ed. – São Paulo: Atual, 2013, p. 156. Sobre os períodos em questão, analise as afirmativas a seguir. I. Os EUA e a URSS conflitavam cooperando, funcionando como irmãos-inimigos. A bipolaridade apoiou-se sobre uma inédita acumulação e aperfeiçoamento de meios de destruição em massa. II. O colapso da União Soviética deixou os Estados Unidos na condição de superpotência junto com a China. Dessa forma, a bipolaridade cedeu lugar a uma distribuição econômica unipolar de poder. III. O projeto da unidade europeia nasceu nos primeiros anos da Guerra Fria, da aliança entre a França e a RFA (Alemanha Ocidental). Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Esta alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta. A I realmente retrata bem a Guerra Fria ao mostrar EUA e URSS como rivais que, ao mesmo tempo, evitavam o confronto direto e investiam na corrida armamentista e no aperfeiçoamento dos meios de destruição em massa. O problema é que a III também está correta, porque o projeto de integração europeia começou no contexto da Guerra Fria, com a reconciliação e a cooperação entre França e Alemanha Ocidental.
- B)I e II, apenas.
Aqui se afirma que I e II seriam verdadeiras. A I está correta ao descrever a lógica de rivalidade controlada e de dissuasão nuclear entre as duas superpotências, mas a II erra ao dizer que o colapso soviético teria deixado os Estados Unidos junto com a China na condição de superpotência. Em 1991, a China ainda não ocupava esse posto e o pós-Guerra Fria foi marcado pela supremacia norte-americana, não por uma bipolaridade renovada.
- C)I e III, apenas.
Esta alternativa reúne as afirmativas I e III, que é exatamente o que o enunciado permite. A I é verdadeira porque a Guerra Fria combinou conflito ideológico, disputa geopolítica e corrida armamentista, com a lógica da destruição mútua assegurada. A III também procede, pois a integração europeia nasceu nos primeiros anos do pós-guerra, com a aproximação entre França e Alemanha Ocidental como eixo da construção comunitária.
- D)II e III, apenas.
A alternativa diz que apenas II e III estariam corretas. A III realmente corresponde ao início da unidade europeia na Guerra Fria, mas a II está conceitualmente errada ao atribuir aos Estados Unidos e à China uma condição de superpotência após 1991. Além disso, essa opção deixa de fora a I, que também é verdadeira ao caracterizar a bipolaridade e a corrida armamentista.
- E)I, II e III.
Esta opção afirma que as três afirmativas seriam corretas. A I e a III estão adequadamente formuladas, mas a II falha porque o fim da URSS não produziu uma superpotência compartilhada entre EUA e China. O que houve foi a consolidação momentânea da primazia norte-americana, em um cenário frequentemente descrito como unipolar, e não uma bipolaridade econômica.
Gabarito: C
A questão mistura dois grandes momentos: a Guerra Fria e o pós-Guerra Fria. Na Guerra Fria, EUA e URSS disputavam influência no mundo sem entrar em guerra direta, numa relação de competição e cooperação calculada, quase como irmãos-inimigos. Esse conflito foi marcado pela bipolaridade e por uma corrida armamentista sem precedentes, com armas nucleares e outros meios de destruição em massa. Por isso, a afirmativa I está correta. Já a afirmativa II escorrega feio: com o fim da URSS, os Estados Unidos ficaram como a principal superpotência, mas a China não entrou nessa condição logo de cara como par equivalente. O cenário que se formou foi muito mais de predominância americana do que de uma bipolaridade econômico-unipolar, então a frase mistura conceitos e fica errada. A afirmativa III também está correta. O projeto de integração europeia começou no pós-guerra e ganhou força no contexto inicial da Guerra Fria, com a aproximação entre França e a Alemanha Ocidental (RFA) em iniciativas como a CECA e depois a CEE. A ideia era amarrar os antigos rivais numa cooperação econômica e política para evitar novas guerras no continente. Assim, o gabarito C faz sentido porque apenas as afirmativas I e III estão corretas. A banca gosta de cobrar esses conceitos com frases bem plausíveis, então vale atenção redobrada quando ela troca um termo certo por outro que parece elegante, mas está historicamente torto.