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Historia Mundial · FGV · 2023

Questão comentada de Historia Mundial

A progressiva aproximação da História e da Antropologia, o desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares e da etnohistória têm contribuído de forma fundamental para uma revisão da história dos índios do Brasil. O resultado prático das pesquisas mais recentes tem sido o surgimento de trabalhos históricos e antropológicos nos quais os índios aparecem como sujeitos ativos nos processos de colonização, agindo de formas variadas e mobilizando as possibilidades a seu alcance para atingir seus interesses que evidentemente se transformavam na nova situação colonial. Fontes primárias, tais como relatos de cronistas e de jesuítas, têm sido reinterpretados de forma a revelar, em suas entrelinhas, toda a complexidade das relações de alteridade. Adaptado de: CELESTINO, Maria Regina. Metamorfoses indígenas: identidade e cultura nas aldeias coloniais do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013, pp.4-11. Com base no texto, assinale a afirmativa que identifica corretamente a contribuição da antropologia para a pesquisa e a escrita da história dos índios do Brasil.

Gabarito: B

A grande virada apontada no texto é abandonar a ideia de que os povos indígenas aparecem na História apenas como figurantes passivos, presos entre “resistir” ou “serem aculturados”. A aproximação entre História e Antropologia ajudou a ler as fontes coloniais com mais cuidado, enxergando interesses, estratégias, alianças, negociações e adaptações dos próprios indígenas. Em outras palavras, os índios passam a ser vistos como sujeitos históricos, não como massa inerte diante da colonização. Esse olhar vem muito da etnohistória e da antropologia histórica, que permitem reinterpretar cronistas, jesuítas e outros documentos coloniais. O truque é não ler esses textos só pelo que dizem explicitamente, mas também pelo que deixam escapar nas entrelinhas: conflitos, trocas culturais, reelaborações identitárias e usos políticos do contato. A ideia de “transculturação” e de interação cultural substitui visões simplificadoras de pureza, imutabilidade ou desaparecimento. Por isso o gabarito é a letra B. Ela acerta ao reconhecer a agência indígena diante do contato com outras culturas e ao ir além da velha dicotomia “resistência” versus “aculturação”. Hoje, a historiografia tende a mostrar que os indígenas agiam de modo variado: negociavam, selecionavam práticas, redefiniam alianças e buscavam seus próprios objetivos dentro da situação colonial. Em prova da FGV, desconfie de alternativas que tratem cultura indígena como algo congelado no tempo ou que imaginem o indígena apenas como vítima ou apenas como resistente. A leitura contemporânea é bem mais sofisticada, e muito mais próxima da realidade histórica.

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