Nós, abaixo-assinados, tendo nos reunido em virtude das ordens do Rei, no dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que segue: “Pedimos que todos os privilégios sejam abolidos. Declaramos que se alguém merece ter privilégios e gozar de isenções, são os habitantes do campo, pois são os mais úteis ao Estado, porque por seu trabalho o fazem viver. Pedimos também que as talhas com as quais a nossa paróquia está sobrecarregada sejam abolidas; que este imposto seja convertido num só e único imposto ao qual devem ser submetidos todos os eclesiásticos e nobres sem distinção”. Adaptado de MATTOSO, Kátia M. de Q. Textos e documentos para o estudo de História Contemporânea. São Paulo: Edusp, 1976. O documento exemplifica
- A)uma crítica girondina à sociedade estamental francesa.
Errada: o texto não é de uma crítica girondina, mas de uma reivindicação popular anterior à fase girondina da Revolução Francesa.
- B)um pleito dos Estados Gerais para a reforma tributária.
Errada: os Estados Gerais reuniam os três estados e recebiam queixas, mas o documento em si é um caderno de reclamações, não o pleito institucional do órgão.
- C)uma proposta ministerial de reforma financeira.
Errada: não se trata de proposta ministerial, e sim de uma demanda vinda da base social, especialmente do campo e do Terceiro Estado.
- D)um caderno de reclamações do Terceiro Estado.
Certa: o texto tem a forma e o conteúdo dos cahiers de doléances, com pedidos contra privilégios e por igualdade tributária.
- E)uma declaração igualitária da Convenção Nacional.
Errada: a Convenção Nacional é uma etapa posterior da Revolução e o texto pertence ao momento anterior, ligado aos Estados Gerais de 1789.
Gabarito: D
O texto é típico dos cahiers de doléances, isto é, os cadernos de reclamações e pedidos levados à convocação dos Estados Gerais em 1789, às vésperas da Revolução Francesa. Neles, os grupos da sociedade registravam queixas sobre impostos, privilégios e desigualdade de encargos. É exatamente o que aparece aqui: o povo do campo pede o fim dos privilégios e a cobrança de um imposto comum para nobres, eclesiásticos e demais moradores. Perceba o clima do documento: ele não soa como uma grande teoria política, mas como uma lista de reivindicações concretas, quase um “desabafo oficial” da população. Isso combina muito com o Terceiro Estado, que carregava a maior parte dos tributos e queria reverter a lógica estamental do Antigo Regime. Por isso o gabarito é a alternativa D. O documento exemplifica um caderno de reclamações do Terceiro Estado, no contexto da crise fiscal francesa e da convocação dos Estados Gerais por Luís XVI. A ideia central é simples: quem pagava mais queria também mandar mais, ou pelo menos pagar menos para sustentar os privilégios alheios.