Longe do palco da Guerra do Paraguai, as autoridades brasileiras viam o recrutamento entrar em crise: após tantos meses de conflito, o ímpeto inicial de voluntariado estava arrefecendo. A esperança em uma solução rápida para a guerra desapareceu, deixando o alistamento cada vez mais difícil. Fugas, confrontos locais, brigas políticas, casamentos forjados e muitos outros problemas passaram a ser enfrentados pelos que buscavam soldados pelo país. MORAES, Denise. Comprando soldados: uma estratégia de recrutamento para a Guerra do Paraguai (Artigo). Publicado em 31 jul 2017. Com base no trecho, é correto afirmar que a solução encontrada pelo governo imperial para recrutar escravizados para a Guerra do Paraguai previa
- A)a ocupação da população ociosa das zonas rurais.
Errada: a crise de recrutamento não se resolveu simplesmente usando a população rural ociosa, mas por mecanismos mais complexos, como coação e promessa de liberdade.
- B)o acréscimo ao salário dos voluntários.
Errada: o trecho não trata de aumento salarial para voluntários, e sim de estratégias voltadas também a escravizados.
- C)o processo de manumissão daqueles envolvidos.
Certa: o governo imperial previa a manumissão, isto é, a concessão de liberdade aos escravizados recrutados para a guerra.
- D)a abolição da escravidão no território nacional.
Errada: a medida não aboliu a escravidão no país, apenas criou formas pontuais de alforria vinculadas ao recrutamento.
- E)a indenização das famílias dos recrutados.
Errada: a estratégia mencionada não consistia em indenizar famílias, mas em atrair combatentes por meio da promessa de liberdade.
Gabarito: C
Durante a Guerra do Paraguai, o Império enfrentou uma dificuldade prática enorme: recrutar soldados quando o entusiasmo inicial já tinha passado e a guerra parecia longa demais. Nesse cenário, o governo passou a usar soluções de forte apelo social e jurídico, inclusive oferecendo a liberdade a escravizados que aceitassem ir para o conflito. Era uma forma de transformar uma crise de recrutamento em mão de obra militar, ainda que isso não resolvesse a contradição básica de usar a guerra para reforçar, aos poucos, a erosão da escravidão. O ponto central da questão é este: para convencer escravizados a combater, o governo imperial previa a manumissão, isto é, a concessão da liberdade ao final do serviço ou em troca do alistamento. Na prática, a guerra abriu espaço para promessas e políticas de alforria que se encaixavam nas chamadas recompensas aos recrutados. Por isso, a alternativa C está correta. Esse mecanismo não significava abolição geral da escravidão no Brasil, nem uma libertação automática e universal. Era uma solução seletiva, ligada ao esforço de guerra, e não uma reforma social ampla. Em termos históricos, a Guerra do Paraguai acabou funcionando como um acelerador de tensões sobre a escravidão, mas sem derrubar o sistema naquele momento. Em resumo: se a pergunta fala de recrutamento de escravizados, pense em liberdade prometida como incentivo. A guerra precisava de homens, e o Império muitas vezes oferecia alforria como moeda de troca.