Tu Tu Tu Tu Tu Tupi Todo mundo tem um pouco de índio dentro de si dentro de si Todo mundo fala língua de índio Tupi Guarani Tupi Guarani Maranhão, Maceió Macapá, Marajó Paraná, Paraíba Pernambuco, Piauí Jundiaí, Morumbi, Curitiba, Parati É tudo tupi Butantã, Tremembé, Tatuapé Tatuapé, Tatuapé quem sabe o que é que é? caminho do tatu. Em sala, o docente de História utiliza trechos da música “Tu tu tu tupi”, de Hélio Ziskind, para abrir o debate sobre a presença da cultura dos povos originários na cidade de São Paulo. Assinale a afirmativa que identifica corretamente um objetivo diretamente relacionado ao tema proposto para o debate.
- A)Identificar a distribuição rural e urbana das populações indígenas nos Estados brasileiros, sobretudo em São Paulo.
Errada, porque a proposta não é mapear a distribuição rural e urbana dos povos indígenas, mas discutir memória e presença histórica na cidade.
- B)Colaborar para as comemorações do Dia do Índio, reforçando a contribuição indígena para o folclore brasileiro.
Errada, porque reduz o tema a uma celebração folclórica do Dia do Índio, sem aprofundamento crítico sobre a história indígena.
- C)Reconstituir a evolução histórica dos troncos linguísticos indígenas paulista e latino-americanos.
Errada, porque o foco não é reconstituir troncos linguísticos, e sim interpretar a presença e o apagamento indígena nas narrativas sobre São Paulo.
- D)Conscientizar os alunos do caráter democratizante fruto da convivência interracial entre portugueses e indígenas em São Paulo.
Errada, porque fala em convivência interracial democratizante, uma visão romantizada que não corresponde ao debate crítico sobre colonização, conflito e silenciamento.
- E)Refletir sobre o silenciamento da história das comunidades indígenas nas narrativas sobre a cidade de São Paulo.
Certa, porque o objetivo é problematizar como a história das comunidades indígenas foi silenciada nas narrativas sobre a cidade de São Paulo.
Gabarito: E
A questão explora a presença indígena na formação histórica e cultural de São Paulo, mas com uma pegada importante: não basta lembrar que há influência indígena, é preciso perceber como essa presença muitas vezes foi apagada nas narrativas oficiais da cidade. Ao usar a música como disparador, o professor quer abrir espaço para discutir memória, identidade e silenciamento, e não fazer só uma lista de nomes de origem tupi. Em História, isso é bem recorrente: a cidade costuma ser contada como resultado da ação dos colonizadores, da industrialização e do crescimento urbano, enquanto os povos originários aparecem de forma secundária ou folclorizada. O objetivo didático mais alinhado ao debate é justamente chamar atenção para esse apagamento e para a permanência indígena na história paulistana. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz a ideia de reflexão crítica sobre o silenciamento das comunidades indígenas nas narrativas sobre São Paulo, que é exatamente o tipo de abordagem contemporânea valorizada no ensino de História, em sintonia com a Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro-brasileira na educação básica. Em vez de tratar o indígena como enfeite de festa ou como marca de palavra “curiosa” no mapa, a proposta é reconhecer sujeitos históricos. É essa virada de olhar que a questão cobra.