Designa o processo de transformação científica e didática que afeta os objetos de conhecimento até a sua tradução no campo escolar. Em relação ao ensino de história, o que se procura é algo diferente, ou seja, a realização na sala de aula da própria atividade do historiador, a articulação entre elementos constitutivos do fazer histórico e do fazer pedagógico. Adaptado de BITTENCOURT, Circe. “Procedimentos Metodológicos no Ensino de História”. In: Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2011, pp. 58 e 59. No trecho, a autora refere-se ao procedimento metodológico de
- A)modernização e atualização do currículo de história.
Errada, porque modernização do currículo é uma ideia mais ampla e administrativa, não o processo de transformar conhecimento científico em conteúdo escolar.
- B)transmissão de conhecimentos organizados de modo temporal.
Errada, porque organizar conhecimentos em sequência temporal é apenas uma forma de exposição do conteúdo, e não a passagem didática do saber histórico para a escola.
- C)apresentação da história como resultante de ações coletivas e não apenas de feitos heroicos.
Errada, porque fala de uma visão temática da História, mas não do procedimento metodológico descrito no enunciado.
- D)transposição didática dos conteúdos e procedimentos históricos.
Certa, porque descreve a transposição didática dos conteúdos e procedimentos históricos, exatamente o processo mencionado por Bittencourt.
- E)adoção do sistema dialógico, pelo qual os conteúdos são problematizados junto aos educandos.
Errada, porque o diálogo e a problematização são estratégias pedagógicas importantes, mas não nomeiam o processo de transformação do saber histórico em saber escolar.
Gabarito: D
A questão trata de um conceito central no ensino de História: a transposição didática. Em termos simples, é o caminho que o conhecimento científico faz até virar conteúdo ensinável na escola. Ou seja, o saber do historiador não entra na sala de aula do mesmo jeito que aparece na pesquisa acadêmica; ele precisa ser reorganizado, selecionado e adaptado para virar aprendizado possível, sem perder o vínculo com a lógica da disciplina. No trecho de Circe Bittencourt, a autora destaca justamente essa passagem do conhecimento histórico para o campo escolar, mas com uma exigência importante: no ensino de História, não basta simplificar o conteúdo, é preciso aproximar o aluno da própria atividade do historiador. Isso significa trabalhar fontes, temporalidade, interpretação, causalidade e análise crítica, articulando o fazer histórico com o fazer pedagógico. Por isso, o gabarito é a letra D. A expressão "transformação científica e didática" aponta para a transposição didática dos conteúdos e dos procedimentos históricos. Não se trata só de mudar a linguagem, mas de converter um saber produzido na academia em objeto de ensino, preservando sua natureza investigativa. É a História saindo da estante e indo para a sala de aula sem perder a graça, nem o sentido. Esse entendimento é bem coerente com a doutrina de Circe Bittencourt, muito usada em concursos: ensinar História não é repetir datas, mas possibilitar que o estudante compreenda como o conhecimento histórico é produzido. Então, quando a questão fala em "realização na sala de aula da própria atividade do historiador", ela está descrevendo exatamente essa ponte entre ciência histórica e prática pedagógica.