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Historia Mundial · FGV · 2022

Questão comentada de Historia Mundial

Na historiografia da Revolução Francesa, o fenômeno do Terror é objeto de amplo debate. A esse respeito, leia a caracterização de François Furet. “As circunstâncias que cercam o nascimento do Terror serviram de meio de desenvolvimento à ideologia e às práticas progressivas das instituições terroristas. Tal ideologia, presente na revolução de 1789, é anterior às instituições, e delas possui uma realidade independente, ligada à natureza da cultura revolucionária francesa mediante três itinerários de ideias: o da regeneração do homem, que faz com que a Revolução Francesa se assemelhe a uma anunciação de tipo religioso; a ideia de que a política pode tudo; e a jurisdição ilimitada atribuída à soberania.” FURET, F. “O Terror” in Dicionário Crítico da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989, pp. 157-58. Com base no texto, assinale a afirmativa que identifica corretamente a perspectiva revisionista de Furet sobre o Terror.

Gabarito: E

A leitura de François Furet é típica da virada revisionista na historiografia da Revolução Francesa. Em vez de explicar o Terror só como resposta militar, social ou conjuntural, ele destaca que havia dentro da própria cultura revolucionária uma lógica política e ideológica que abria espaço para a violência em nome da regeneração da sociedade. No trecho, aparecem três ideias centrais: a crença de que a Revolução poderia regenerar o homem, a noção de que a política tinha poder quase ilimitado e a atribuição de soberania sem freios. Em outras palavras, o Terror não surge apenas como acidente de percurso; ele é visto como desdobramento de uma mentalidade revolucionária que queria refazer a sociedade e até o próprio ser humano. É uma revolução que não queria só mudar leis, queria mudar gente. Aí o bicho pega. Por isso, a alternativa E está correta: ela resume exatamente essa leitura de que o Terror é uma ideologia política voltada para impor a fabricação de um novo tipo de homem. Isso combina com a crítica de Furet à ideia de que a violência foi apenas uma reação defensiva. Para ele, existe uma ambição política de transformação total, com forte carga messiânica e disciplinadora. As demais alternativas seguem outras interpretações historiográficas: umas falam em circunstância, outras em fatores sociais ou econômicos, e outras ainda deslocam o foco para o Antigo Regime. Mas o texto de Furet quer justamente mostrar o contrário: o Terror não é um simples efeito colateral, e sim algo enraizado na própria dinâmica ideológica da Revolução.

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