O nome Rota da Seda é uma convenção historiográfica do século XIX para designar o fluxo comercial ancestral da Eurásia. Na verdade, a Rota da Seda era um conjunto de vias comerciais, ao norte e ao sul, através das estepes, desertos, montanhas e mares, conectando desde a costa chinesa do Pacífico às costas atlânticas da Europa e da África; da Escandinávia ao Oceano Índico. A respeito da história milenar da Rota da Seda, assinale a afirmativa correta.
- A)No período helenístico, a antiga Rota da Seda permitiu a difusão da cultura greco-romana no Extremo Oriente, nas pegadas do expansionismo mongólico.
Errada, porque a difusão de elementos greco-romanos no Oriente não ocorreu por causa de uma Rota da Seda associada ao expansionismo mongol, e a ordem histórica está invertida.
- B)No século XIII, o empreendimento liderado por Marco Polo rendeu à cidade de Veneza o monopólio do comércio da seda, dos entrepostos do Mediterrâneo até os de Cantão.
Errada, porque Marco Polo não garantiu monopólio comercial a Veneza, e a Rota da Seda não foi um empreendimento liderado por ele.
- C)No século XV, os dois polos da rota da seda foram bloqueados em função da conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos e da China Ming pelo Islã.
Errada, porque a queda de Constantinopla afetou rotas comerciais, mas não houve bloqueio simultâneo dos dois polos nem a China Ming foi conquistada pelo Islã.
- D)No início da Época Moderna, Vasco da Gama contornou o Cabo das Tormentas, abrindo a primeira via marítima da Rota da Seda na Eurásia.
Errada, porque Vasco da Gama abriu a rota marítima europeia para as Índias, não a primeira via marítima da Rota da Seda na Eurásia.
- E)Na atualidade, a China pretende conectar, por terra e mar, o Oriente Médio, a Europa, a África e a Ásia, com o projeto da Nova Rota da Seda, cujo lema é “um cinturão, uma rota”.
Gabarito: E
A Rota da Seda não era uma estrada única, mas uma rede enorme de caminhos terrestres e marítimos que, por séculos, ligou China, Ásia Central, Oriente Médio, África e Europa. Ela serviu para circular seda, especiarias, metais, ideias, técnicas, religiões e também doenças. Ou seja, não foi só comércio: foi uma verdadeira “internet da Antiguidade e da Idade Média”, com muita troca cultural no pacote. A alternativa correta é a letra E porque ela descreve um projeto contemporâneo da China conhecido como Nova Rota da Seda, ou Belt and Road Initiative, lançado para ampliar conexões por terra e por mar entre Ásia, Europa, África e Oriente Médio. O lema oficial remete justamente a isso: “um cinturão, uma rota”, isto é, um eixo terrestre e uma rota marítima de integração econômica. As demais alternativas misturam épocas e fatos de forma problemática. A Rota da Seda não nasceu do expansionismo mongol, Marco Polo não deu a Veneza monopólio de nada, e a conquista de Constantinopla pelos otomanos não bloqueou simultaneamente um suposto “polo chinês islâmico”. Já Vasco da Gama não abriu a “primeira via marítima da Rota da Seda”; ele inaugurou a rota europeia para as Índias pelo Cabo da Boa Esperança, mudando o comércio mundial, mas não criando a Rota da Seda. Em história mundial, a banca gosta de testar você com uma linha do tempo confusa: pega um fenômeno antigo, mistura com Idade Média, joga uma pitada de Época Moderna e vê se você escorrega. Aqui, o ponto decisivo é reconhecer a atualidade do tema na estratégia chinesa de integração eurasiática.