Em 1640, Portugal separou-se da Espanha depois de sessenta anos de união dinástica, e a monarquia Bragança defrontou-se com uma série de desafios internacionais. As afirmativas a seguir descrevem corretamente os desafios da Restauração Portuguesa, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A defesa das fronteiras contra o possível ataque da Coroa de Castela, na península Ibérica.
Certa, porque a Restauração exigia defender Portugal de uma possível reação militar de Castela na própria Península Ibérica.
- B)O reconhecimento da independência do Reino e dos direitos da dinastia ao trono, em relação à Europa.
Certa, pois a nova dinastia Bragança precisava obter reconhecimento diplomático da independência portuguesa e do direito ao trono.
- C)) A reivindicação das colônias que haviam sido perdidas para a República das Províncias Unidas dos Países Baixos, na América, África e Ásia.
Certa, já que Portugal tentou recuperar possessões perdidas para os holandeses na América, na África e na Ásia.
- D)A reconquista de Ormuz, Malaca e Goa, então bloqueadas pela frota holandesa, por obra da Companhia Geral do Brasil, no Índico.
Errada, porque a Companhia Geral do Brasil não realizou essa suposta reconquista asiática e a cronologia das praças citadas também não bate.
- E)A disputa do litoral do Nordeste, sob controle da Companhia das Índias Ocidentais (WIC), na América Portuguesa.
Certa, pois o Nordeste português foi alvo da ocupação holandesa e virou um dos principais focos de resistência e disputa.
Gabarito: D
A Restauração Portuguesa, a partir de 1640, foi um enorme exercício de sobrevivência política. Portugal precisava segurar a fronteira com Castela, conseguir que a nova dinastia Bragança fosse aceita na Europa e, ao mesmo tempo, recuperar posições ultramarinas ameaçadas pela expansão holandesa e por outras potências rivais. No plano externo, a luta não era só na península. A monarquia restaurada teve de negociar reconhecimento diplomático, defender o império e tentar recompor áreas perdidas na América, na África e na Ásia. Era um pacote completo: guerra, diplomacia e comércio, tudo ao mesmo tempo, sem pausa para café. É por isso que a alternativa D está errada. A retomada de praças como Ormuz, Malaca e Goa não foi obra da Companhia Geral do Brasil, porque essa companhia foi criada bem mais tarde, em 1649, e tinha foco no comércio atlântico e na defesa do Brasil. Além disso, Ormuz já havia sido perdida antes de 1640, e Malaca caiu para os holandeses em 1641. Então a frase mistura cronologia e instituição de forma indevida. O tema conversa com a lógica do Império Português do século XVII: defesa territorial, reconhecimento internacional e recomposição colonial. Em provas, a FGV gosta justamente desse tipo de mistura entre datas, instituições e espaços do império para ver se você conhece o enredo sem tropeçar no detalhe.