A crise financeira internacional de 2008 é considerada por muitos economistas como a pior crise econômica desde a Grande Depressão (Crise de 1929). Com relação às causas, características e consequências da crise de 2008, analise os itens a seguir. I. Uma das causas da crise foi o crescimento desordenado do crédito para os chamados subprime mortages, ou seja, grupos de elevado risco, como desempregados e pessoas sem renda comprovada. II. As agências avaliadoras de risco – Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s – alertaram antes de 2008 – em vão – que os CDO’s (obrigações de dívida com garantia) não eram investimentos de qualidade, uma vez que as pessoas não teriam condições de quitá-los. III. Como medida de contenção da crise, os EUA implementaram o Programa de Alívio de Ativo Problemático, que previu a liberação de bilhões de dólares em socorro aos bancos, para mitigar o contágio sobre a economia real. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa apresenta apenas a afirmativa I, que relaciona a crise de 2008 à expansão desordenada do crédito hipotecário de alto risco, o chamado subprime. Esse mecanismo é historicamente correto: empréstimos concedidos a tomadores com baixa capacidade de pagamento ajudaram a inflar a bolha imobiliária e, depois, a inadimplência em cadeia. O problema é que a afirmativa III também está correta, então marcar só I deixa de fora outra medida central do período.
- B)I e III, apenas.
A alternativa reúne a afirmativa I, correta ao apontar o crédito subprime como uma das raízes da crise, e a afirmativa III, que descreve adequadamente o TARP, programa dos EUA para socorrer bancos e conter o risco sistêmico. Esse resgate buscou estabilizar o sistema financeiro e reduzir o contágio sobre a economia real. A única afirmação que não se sustenta é a II, porque Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch não alertaram previamente sobre a baixa qualidade dos CDOs; elas foram criticadas justamente por atribuir notas altas a esses papéis.
- C)I e II, apenas.
A alternativa combina a afirmativa I, verdadeira ao relacionar a crise à expansão do crédito subprime, com a II, que distorce o papel das agências de rating. Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch não advertiram corretamente antes de 2008; ao contrário, foram acusadas de avaliar mal CDOs e outros títulos lastreados em hipotecas de alto risco. Por isso, a presença da II invalida o conjunto.
- D)II e III, apenas.
A alternativa reúne a II com a III. A III está correta ao mencionar o Programa de Alívio de Ativo Problemático (TARP), que injetou recursos e comprou ativos problemáticos para evitar o colapso bancário; porém a II é errada, porque as agências de risco não alertaram adequadamente sobre os CDOs, tendo, na prática, contribuído para sua aparência de segurança. Além disso, a opção omite a I, que também é verdadeira e essencial para explicar a origem da crise.
- E)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas, mas a II compromete o conjunto. I e III correspondem a elementos centrais da crise de 2008: a expansão do subprime como gatilho e o TARP como resposta de socorro e estabilização financeira. Já a II não se sustenta, porque as agências de rating não alertaram previamente sobre a baixa qualidade dos CDOs; elas foram criticadas por subestimar o risco desses títulos.
Gabarito: B
A crise de 2008 nasceu do excesso de confiança no mercado imobiliário norte-americano e na engenharia financeira que transformou dívidas arriscadas em produtos aparentemente sofisticados. Os chamados subprime mortgages eram empréstimos concedidos a tomadores com alto risco de inadimplência, muitas vezes sem renda estável ou comprovação suficiente, o que ajudou a inflar uma bolha de crédito. Quando a inadimplência cresceu, a engrenagem travou e o problema saiu do setor imobiliário para o sistema financeiro inteiro. A afirmativa II está errada porque as agências de rating não fizeram esse alerta preventivo sobre os CDOs antes da crise; ao contrário, elas foram muito criticadas por terem atribuído notas altas a ativos que depois se mostraram tóxicos. Em outras palavras, o defeito não foi o aviso ignorado, mas a avaliação excessivamente otimista que mascarou o risco. Já a afirmativa III está correta. Os EUA responderam com um grande pacote de socorro ao sistema financeiro, conhecido como Troubled Asset Relief Program (TARP), voltado a comprar ou garantir ativos problemáticos e evitar o colapso dos bancos. A lógica era impedir o efeito dominó sobre o crédito e, por tabela, sobre a economia real, que depende do sistema financeiro funcionando. Por isso, o gabarito é B: apenas I e III estão corretas. A questão cobra exatamente a leitura clássica da crise de 2008: crédito fácil para o subprime, produtos financeiros complexos e intervenção estatal pesada para conter o estrago.