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Historia Mundial · FGV · 2022

Questão comentada de Historia Mundial

Em ofício de 08 de agosto de 1836, o general Andreas, que organizava a repressão à revolta dos Cabanos, informou as autoridades da Corte: “Não estou exagerando as crises a Vossa Excelência, ou esses códigos Criminais e do Processo hão de [melhorar] ou ser substituídos por Leis úteis, em que todos vejam garantidos as nossas honras, nossas vidas e nossos bens; ou esta Província há de pertencer a Tapuios, e o resto do Brasil a negros.” (Arquivo Público do Pará. Correspondência de Governo com a Corte. Códice: 1039 – Ministério da Justiça. Ofício de 8 de agosto de 1836) É correto afirmar que, no documento, o general

Gabarito: D

O enunciado traz um documento muito revelador do clima político do Pará na época das revoltas regenciais, especialmente a Cabanagem. O general Andreas deixa claro que não confia na legislação penal e processual vigente para dar conta da crise social e política. Em outras palavras, ele acha que os códigos existentes são fracos, ineficazes ou insuficientes para conter a rebelião e restaurar a autoridade imperial. Esse tipo de fala é bem típico do período regencial: havia muita instabilidade, medo das elites e sensação de que a ordem podia desmoronar a qualquer momento. A Cabanagem, inclusive, tinha forte participação popular, com indígenas, mestiços, negros, pobres livres e escravizados, o que aumentava o pânico das autoridades locais. Por isso, o gabarito é a letra D. O trecho não fala de reforma agrária, não menciona Lisboa e nem sugere tranquilidade com a ordem escravista. Pelo contrário, ele critica a incapacidade das leis em conter as revoltas sociais e pede, na prática, uma resposta mais dura do Estado. É o famoso recado: se a lei não resolve, o governo vai querer mais força - e isso diz muito sobre a política repressiva do Império naquele contexto.

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