No final do século XX, um conjunto de transformações contribuiu para a atual ascensão econômica da China e sua forte projeção internacional. As opções a seguir apresentam algumas dessas transformações, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)a repressão aos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, que forçou a diversificação das relações exteriores para evitar o isolamento promovido pelos Estados Unidos.
Errada, porque a repressão de 1989 ajudou a isolar a China no curto prazo, mas a diversificação externa foi um efeito político posterior, não a transformação central que a alternativa tenta vender.
- B)o crescimento econômico, que impulsionou a dependência crescente de importação de petróleo a partir de 1993, exigindo a ampliação e diversificação do fornecimento.
Certa, porque o crescimento chinês elevou muito a demanda por petróleo a partir de 1993 e obrigou o país a buscar fornecedores mais amplos e seguros.
- C)o fortalecimento macroeconômico, que gerou crescentes acúmulos de capitais, ampliando a capacidade financeira do país em realizar investimentos diretos e fornecer créditos internacionais.
Certa, porque o aumento das reservas e do superávit externo ampliou a capacidade chinesa de investir fora e até conceder créditos internacionais.
- D)a reorganização da Ásia-Pacífico, com a criação da Organização de Cooperação de Shangai, que fortaleceu as cadeias de abastecimento regionais para a China e aumentou sua presença comercial no Pacífico.
Errada, porque a Organização de Cooperação de Xangai surgiu em 2001 e tem foco em segurança regional, não em reorganizar cadeias de abastecimento do Pacífico nos anos 1990.
- E)a resposta à crise financeira asiática de 1997, escolhendo não desvalorizar o renminbi, em nome da estabilidade regional, o que projetou a China como parceiro confiável perante as lideranças asiáticas.
Certa, porque a China evitou desvalorizar sua moeda na crise asiática de 1997, o que reforçou sua imagem de parceiro confiável na região.
Gabarito: D
A questão trata da virada da China no fim do século XX, quando o país consolidou o crescimento acelerado iniciado com as reformas de Deng Xiaoping e passou a ter mais peso no comércio, no crédito e na diplomacia internacional. Não foi um salto mágico: foi uma combinação de abertura econômica, aumento das reservas, expansão industrial, maior dependência de energia e uma política externa pragmática para reduzir riscos e ampliar influência. Depois de 1989, a repressão na Praça da Paz Celestial piorou a imagem chinesa no Ocidente, mas também empurrou Pequim a diversificar parceiros e a evitar isolamento. Já nos anos 1990, a China virou grande importadora de petróleo, organizou melhor sua inserção regional e passou a investir e emprestar mais para outros países, porque tinha mais capital acumulado e mais capacidade financeira. A crise asiática de 1997 também reforçou sua imagem de estabilidade ao não desvalorizar o renminbi. O ponto que derruba a letra D é que a Organização de Cooperação de Xangai não é a peça central dessas transformações do fim dos anos 1990 para a ascensão chinesa. Ela foi criada em 2001, já no século XXI, e teve foco principal em segurança, fronteiras e cooperação política na Ásia Central, não em organizar cadeias de abastecimento regionais no Pacífico. Ou seja: a alternativa mistura data, finalidade e abrangência geográfica. Então, para a FGV, vale a regra de ouro: quando a banca fala da ascensão chinesa, ela costuma cobrar economia + diplomacia + energia + crise asiática, tudo amarrado no pragmatismo do regime. Se aparecer uma instituição com cronologia ou função torta, desconfie imediatamente.