Durante o período colonial e imperial, a sociedade e a economia criadas no Brasil estavam vinculadas à escravidão de grande parte da força de trabalho. No século XVI, prevaleceu a escravização dos povos nativos, mas numerosos fatores combinaram-se para que, aos índios, sucedessem os africanos na virada para o século XVII. Os fatores listados a seguir motivaram a substituição do trabalho escravo indígena pelo africano no contexto indicado, à exceção de um. Assinale-o.
- A)O decréscimo acelerado da população indígena por guerras, fugas, pestes e epidemias.
Certa: a redução da população indígena por guerras, fugas e epidemias foi um dos principais fatores da substituição da mão de obra.
- B)A multiplicação de engenhos que dependiam de mão de obra cativa para a sua produção, sobretudo no recôncavo baiano.
Certa: a expansão dos engenhos aumentou muito a demanda por trabalho cativo, favorecendo a escravização africana.
- C)O repúdio da Holanda em relação à escravidão indígena e sua campanha abolicionista a partir de Pernambuco.
Errada: a Holanda não liderou campanha abolicionista contra a escravidão indígena; essa justificativa não explica a mudança da mão de obra.
- D)A alta lucratividade obtida com o tráfico negreiro, que envolvia a elite comercial lusa e dirigentes e comerciantes africanos.
Certa: o tráfico negreiro era muito lucrativo e articulava interesses coloniais, reforçando a opção pela escravidão africana.
- E)A pressão dos missionários jesuítas para que a Coroa restringisse as iniciativas dos colonos de escravização dos indígenas.
Certa: os jesuítas pressionaram a Coroa para restringir a escravização indígena, ainda que isso variasse conforme o contexto.
Gabarito: C
No Brasil colonial, a mão de obra escravizada mudou de perfil por uma mistura de fatores bem conhecidos: queda brutal da população indígena, expansão da produção açucareira, resistência dos nativos e também o fortalecimento do tráfico atlântico de africanos. Em outras palavras, não foi um único motivo, mas um combo econômico, demográfico e político. O açúcar crescia, os engenhos pediam braços em quantidade, e o sistema negreiro aparecia como solução lucrativa para muita gente envolvida no comércio colonial. Os indígenas sofreram com guerras, fugas, epidemias e com a própria dinâmica da ocupação portuguesa. Além disso, os jesuítas pressionavam a Coroa contra a escravização indígena, o que reduzia a liberdade de ação dos colonos em várias áreas. Já o tráfico africano se consolidou porque era altamente rentável e integrado ao comércio atlântico, envolvendo negociantes portugueses, elites coloniais e intermediários africanos. Isso ajudou a tornar o africano o principal contingente escravizado a partir do fim do século XVI e ao longo do XVII. A alternativa C é a exceção porque a Holanda não teve campanha abolicionista contra a escravidão indígena no Brasil. Pelo contrário: os holandeses estiveram ligados aos interesses do açúcar e do tráfico de escravizados no Atlântico, inclusive com forte presença no Caribe e apoio indireto à economia escravista. Nada de “repúdio” humanitário por lá; no mundo colonial, o lucro costumava falar mais alto. Em termos de conteúdo cobrado em prova, a lógica é a seguinte: a substituição do trabalho indígena pelo africano ocorreu menos por moralidade e mais por viabilidade econômica e política. Se a banca mistura isso com alguma ideia de “ação libertadora” de potência europeia, desconfie na hora.