“Entre os inúmeros aspectos abordados em tais obras observa-se sempre a importância da história cultural, de início, restrita à chamada história das mentalidades. Mas também se pode observar nesse mesmo universo textual a ausência quase completa de trabalhos relativos à história da educação, como se não competisse realmente aos historiadores o estudo e a pesquisa de tal história”. FALCON, Francisco. “História cultural e história da educação”. Revista Brasileira de Educação. nº 32. 2006. Esse reconhecimento feito pelo autor do texto acima mostra que
- A)a história cultural conseguiu aglutinar a história das mentalidades e a história factual, mostrando sua capacidade de reunir todas as áreas do conhecimento, reforçando a interdisciplinaridade e a reflexão sobre ensino e pesquisa como realidades combinadas.
Errada, porque a história cultural não se define por aglutinar história factual e todas as áreas do conhecimento, nem o texto fala em reunião total de campos.
- B)as práticas e experiências educacionais e pedagógicas fazem parte da história cultural de uma sociedade e sua ausência demonstra como os historiadores estão afastados de certas áreas do conhecimento e como há ainda uma grande distância entre ensino e pesquisa.
Certa, porque reconhece a história da educação como parte da história cultural e destaca a lacuna deixada pela pouca presença desse tema nas obras históricas.
- C)a educação assumiu tal importância que hoje se verifica uma relação integrada entre ensino e pesquisa e os temas da história da educação fazem parte das obras que analisam os traços culturais das sociedades contemporâneas, criando a excelência interdisciplinar.
Errada, porque o texto não diz que a educação já assumiu centralidade nem que há integração plena entre ensino, pesquisa e história da educação.
- D)a história das mentalidades perdeu espaço no âmbito metodológico da história cultural e isso levou à negação da relação entre ensino e pesquisa e prática e teoria, à crise da interdisciplinaridade e ao fortalecimento da separação entre os campos do conhecimento.
Errada, porque não há no trecho ideia de crise da história cultural ou de perda de espaço da história das mentalidades; o foco é a ausência da história da educação.
Gabarito: B
O texto de Francisco Falcon chama atenção para um ponto clássico da história cultural: ela valoriza as formas de pensar, sentir, agir e produzir sentido em uma sociedade. Por isso, temas como mentalidades, práticas sociais, símbolos e representações entram no radar do historiador com força total. Até aí, tudo bem, a história cultural ampliou bastante o olhar da disciplina. Mas o autor faz uma crítica importante: mesmo com esse avanço, a história da educação aparece quase ausente em muitas obras. Isso mostra que nem tudo que faz parte da experiência cultural de uma sociedade virou, de fato, objeto frequente de estudo dos historiadores. Educação, escola e práticas pedagógicas também são fenômenos culturais e históricos, e sua exclusão revela uma lacuna de pesquisa. É exatamente isso que a alternativa B percebe: as práticas educacionais e pedagógicas integram a história cultural de uma sociedade, e sua ausência indica distância entre historiadores e certas áreas do conhecimento, além de uma separação ainda forte entre ensino e pesquisa. Em outras palavras, o texto elogia a ampliação da história cultural, mas também cutuca sua limitação prática. Então, o gabarito B está correto porque traduz fielmente a ideia central do trecho: a história cultural abriu espaço para novas abordagens, mas ainda deixou a história da educação meio sentada no banco de trás.