O processo de independência do Brasil é, comumente, datado a partir de 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil. A verdade dessa proposição reside, em especial, na montagem pelo príncipe, e depois rei, João VI, de um aparelho governativo no Brasil. Acerca do processo de Independência do Brasil é correto dizer que:
- A)fica caracterizado por um lado, através da transferência de órgãos portugueses e, de outro, com o surgimento, no Rio de Janeiro, de estruturas típicas de uma capital, com bibliotecas, um jornal, instituições de fomento.
Certa: descreve a transferência da máquina administrativa portuguesa e a criação de instituições que deram ao Rio de Janeiro feição de capital.
- B)são aprofundados os institutos de caráter colonial, como os monopólios e as restrições industriais e comerciais.
Errada: em 1808 foram afrouxados monopólios e restrições, com a abertura dos portos e maior liberdade comercial.
- C)a transformação tinha, de fato, feito do Rio de Janeiro a capital de um grande império atlântico, baseado na produção de artigos industriais tropicais do Brasil e no comércio de escravos da costa d’África.
Errada: há distorção histórica ao falar em produção de artigos industriais tropicais, fórmula que não corresponde ao período.
- D)nesse contexto, o reino de Portugal aparecia ainda no primeiro plano, no processo que se denominou a “inversão brasileira” – a substituição de Lisboa pelo Rio de Janeiro como capital do Império.
Errada: a “inversão brasileira” significou a centralidade do Rio de Janeiro no Império, mas a frase confunde a posição de Portugal no processo.
- E)Portugal vinha sendo governado por uma junta sob controle de um militar britânico e que prestava contas a Londres, completando o quadro da “inversão brasileira”.
Errada: Portugal não era governado por uma junta sob controle militar britânico; essa descrição não corresponde ao contexto da fuga da corte para o Brasil.
Gabarito: A
A Independência do Brasil não aconteceu de um dia para o outro em 1822. Ela foi sendo preparada desde 1808, quando a família real portuguesa veio para o Rio de Janeiro fugindo de Napoleão. A partir daí, o Brasil deixou de ser apenas uma colônia “administrada à distância” e passou a abrigar órgãos de governo, tribunais, imprensa, bibliotecas e instituições que davam cara de capital a uma cidade colonial. Esse movimento ficou conhecido como “inversão brasileira” ou “inversão metropolitana”, porque o centro do Império português foi, na prática, transferido de Lisboa para o Rio de Janeiro. Isso explica por que a questão destaca a montagem, por D. João, de um aparelho governativo no Brasil. O país não virou independente de imediato, mas ganhou estruturas estatais que enfraqueceram o velho pacto colonial e ajudaram a preparar o caminho. Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve exatamente esse processo de transferência de órgãos portugueses para o Brasil e o surgimento, no Rio de Janeiro, de instituições típicas de uma capital. A Imprensa Régia, a Biblioteca Real, escolas e órgãos administrativos são exemplos clássicos desse novo cenário. As demais alternativas trazem erros históricos ou exageros. Em vez de aprofundar o colonialismo, 1808 abriu o comércio e flexibilizou várias restrições. E não houve uma capital atlântica baseada em “artigos industriais tropicais”, nem Portugal foi governado por junta militar britânica. O ponto central aqui é simples: a Independência foi antecedida pela construção de um Estado no Brasil.