A história se faz com documentos escritos, sem dúvida, quando eles existem. Mas ela pode ser feita, ela deve ser feita com tudo o que a engenhosidade do historiador lhe permitir utilizar. (Febvre, L. - Combates pela História, Ariel, Barcelona, 1971.in.; FONSECA, T. N. L. História e ensino de História. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.) Não se produz conhecimento histórico sem referência às fontes históricas, mas essas fontes não têm que constituir, necessariamente, documentos escritos. No entanto, em se tratando de documentos escritos, especificamente:
- A)Conclui-se que as fontes falam por si mesmas, cabendo ao historiador apenas descrevê-las sem crítica.
Errada, porque fontes historicas nao falam por si mesmas: elas precisam de analise critica, contexto e interpretaçao do historiador.
- B)Terão validade como saber histórico se tiverem valor escolar e acadêmico com interpretações condizentes com os níveis de discentes.
Errada, porque o valor historico de um documento nao depende de ser mais ou menos adequado ao nível escolar, mas de sua analise como fonte e de sua contextualização.
- C)Seria correto e suficiente testar, através das indagações que os documentos suscitam, se são de fato documentos verdadeiramente históricos.
Errada, porque nao basta perguntar se o documento é 'verdadeiramente historico'; o essencial é interpretar sua origem, intençao, contexto e uso como fonte.
- D)É necessário que tenham sido adquiridos sem o manuseio ou vestígios de manipulação não profissional, para não alterar a construção do olhar do historiador.
Errada, porque a autenticidade de um documento nao se resolve com a ideia de ausencia de manuseio, e sim com critica documental, verificacao de origem e analise historica.
- E)Sabe-se que não simbolizam todo o passado ou revelam o passado tal como ocorreu, mas veiculam representações sobre o passado, já que derivam do olhar de quem o produziu.
Certa, porque documentos escritos nao reproduzem o passado tal como ocorreu, mas expressam representacoes produzidas por alguem em determinado contexto.
Gabarito: E
Quando a História trabalha com documentos escritos, voce precisa lembrar de uma ideia central da historiografia moderna: documento nao é espelho neutro do passado. Ele foi produzido por alguem, em um contexto, com interesses, limites e escolhas. Por isso, o historiador nao deve tratar o texto como uma verdade pronta, mas como uma fonte a ser interrogada. É exatamente esse o ponto da alternativa correta: os documentos escritos nao revelam o passado tal como ele aconteceu, nem resumem toda a realidade vivida. Eles carregam representacoes sobre o passado, isto é, mostram a visao, a intencao e o lugar social de quem os produziu. Ler documento historico é, portanto, fazer critica, comparar, contextualizar e perguntar o que foi dito, o que foi omitido e por que. Essa leitura crítica dialoga com a chamada critica historica, muito associada a nomes como Marc Bloch e Lucien Febvre, que ampliaram a noção de fonte e defenderam que a História pode usar tudo aquilo que permita compreender o passado. O documento escrito é importantissimo, mas nao é inocente nem autoexplicativo. Ele precisa ser analisado como produto humano, e nao como fotografia fiel da realidade. Por isso, o gabarito está na ideia de que toda fonte escrita reflete um olhar sobre o passado. O historiador nao busca apenas repetir o que o documento diz, e sim entender o sentido daquele registro dentro do seu tempo. Em prova, desconfie sempre de alternativas que tratam a fonte como prova absoluta, sem mediação critica.