A Nova História Política propõe expandir as abordagens tradicionais, incorporando aspectos culturais, sociais e econômicos na análise dos fenômenos políticos. A partir dos anos 1960, René Rémond emergiu como uma figura central no renascimento da história política, frequentemente alvo das críticas dos Anais. Em 1988, ele dirigiu a coleção “Para uma história política”, um trabalho coletivo onde destacados cientistas políticos franceses expuseram as transformações em seu campo, reafirmaram sua relevância nas ciências sociais em geral e na história em particular, e destacaram os campos ainda a serem explorados. Nesse sentido, é possível apontar que a Nova História Política busca:
- A)Considerar as representações e práticas culturais na construção do poder político.
Correta, porque expressa a ampliação do olhar histórico para incluir representações e práticas culturais na análise do poder.
- B)Enfatizar os estudos sobre as instituições formais, como partidos políticos e governos.
Errada, porque restringe o estudo aos aspectos institucionais formais, justamente o que a Nova História Política procura superar.
- C)Priorizar a cronologia e a biografia como as únicas formas de análise legítimas no estudo da política.
Errada, porque cronologia e biografia podem ajudar, mas não são as únicas formas legítimas de analisar a política.
- D)Sustentar que os eventos políticos devem ser analisados separadamente, isolando os fatores sociais ou culturais.
Errada, porque a Nova História Política rejeita o isolamento dos fenômenos políticos e busca relacioná-los aos fatores sociais e culturais.
- E)Priorizar uma abordagem excludente, a qual desconsidera o impacto das mentalidades e representações simbólicas no campo político.
Errada, porque a proposta é justamente incluir mentalidades e representações simbólicas, não desconsiderá-las.
Gabarito: A
A chamada Nova História Política nasce como uma reação ao jeito mais tradicional de estudar a política, aquele foco quase exclusivo em governos, partidos, datas e grandes líderes. A partir dos anos 1960, com René Rémond como nome de destaque, a ideia passou a ser olhar a política de forma mais ampla, ligada também à cultura, às representações, às mentalidades, às relações sociais e aos interesses econômicos. Ou seja: a política não acontece no vazio, ela conversa com a sociedade o tempo todo. Esse movimento dialoga com a crise do monopólio explicativo dos Annales e com a ampliação dos objetos da História. Em vez de tratar o poder apenas como instituição formal, a Nova História Política quer entender como ele é construído, legitimado e disputado no cotidiano, inclusive por símbolos, discursos, rituais e práticas coletivas. É a política saindo do gabinete e entrando na vida social inteira. Por isso, o gabarito é a letra A. Ela acerta em cheio ao dizer que a Nova História Política considera as representações e as práticas culturais na construção do poder político. Isso resume bem a proposta desse campo: analisar o político de modo integrado, sem separar artificialmente o poder da cultura e da sociedade. As demais alternativas voltam ao modelo antigo ou até contradizem a proposta da Nova História Política. Se a banca falou em renovação, desconfiar de respostas que isolam o político ou reduzem tudo a instituições formais costuma ser um bom antídoto.