A história arrisca-se a perder sua identidade apesar da grande quantidade das pesquisas atuais. Mostra a tendência para diluir o campo histórico nas diversas outras ciências sociais. A dúvida cética foi substituída pela construção do futuro a partir do passado em nome da perda de sentido. Daí o refluxo do relato factual cujo estatuto desmorona-se, já que não se inscreve mais em uma problemática inteligível do antes e do depois na escala do tempo. (DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à nova história. Tradução de Esther Fine. São Paulo: Ensaio, 2003. Pág. 323-324.) O paradigma apresentado no texto sugere que o risco enfrentado pela história na pós-modernidade estaria relacionado ao (à)
- A)Valorização excessiva do relato factual e cronológico.
Errada, porque o texto critica justamente o refluxo do relato factual e não a sua valorização excessiva.
- B)Perda de identidade da história ao se diluir em outras ciências sociais.
Certa, porque o enunciado afirma que a história corre o risco de perder sua identidade ao se diluir em outras ciências sociais.
- C)Uso crescente do método crítico para construir o futuro a partir do passado.
Errada, porque o trecho não exalta o método crítico como solução, mas aponta a crise de sentido e de identidade da história.
- D)Tendência a fortalecer a identidade própria da história entre as ciências sociais.
Errada, porque o texto não fala em fortalecimento da história, e sim em sua perda de identidade e fragmentação.
- E)Substituição do ceticismo pela visão do passado como recurso de construção de sentido.
Errada, porque a ideia de construir sentido a partir do passado aparece no texto como parte de uma crise, não como a tese central do risco descrito.
Gabarito: B
O texto de François Dosse critica um movimento típico da pós-modernidade: a história deixa de ser vista como uma narrativa central e coesa e passa a correr o risco de se espalhar, ou melhor, de se diluir entre várias outras ciências sociais. Em vez de um campo com identidade própria bem definida, surge uma espécie de “história em migalhas”, mais fragmentada e menos segura de seu lugar. Isso ajuda a entender por que o autor fala em perda de identidade da história. Perceba que o trecho não está elogiando o excesso de fatos nem a cronologia pura e simples. Na verdade, ele aponta o enfraquecimento do relato factual tradicional, que perde prestígio diante de novas abordagens e de uma leitura mais problematizadora do tempo histórico. A história, nesse cenário, deixa de ser só uma sequência de acontecimentos e passa a disputar espaço com sociologia, antropologia, filosofia e outras áreas. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela traduz exatamente a ideia central do texto: o risco de a história perder sua identidade ao se diluir em outras ciências sociais. É a velha situação do professor que entra em tantas conversas metodológicas que corre o risco de ninguém mais saber qual é a especialidade dele. Em termos doutrinários, Dosse é um autor importante para compreender a crise e a fragmentação da historiografia contemporânea, especialmente a crítica à noção de uma história totalizante e a valorização de recortes mais específicos. Aqui, o foco está menos em um fato isolado e mais no debate sobre o próprio estatuto da história como disciplina.