O século XX começou no Brasil com a crise da economia cafeeira devido à superprodução. Para evitar a queda do preço do café no mercado internacional, o governo brasileiro procurou desencorajar a produção e interveio para comprar os excedentes obtendo, para tanto, empréstimos no exterior. O serviço desse empréstimo seria coberto com um novo imposto cobrado em ouro sobre cada saca de café exportada. O êxito financeiro da experiência consolidou a vitória dos cafeicultores e reforçou o seu poder no governo central por mais de um quarto de século até 1930. (Disponível em: https://www.tdx.cat/bitstream/handle/.) O modelo agrário-exportador, que predominou no Brasil desde o Período Colonial:
- A)Se esgotou no romper do século XX, a partir das experiências liberais promovidas principalmente pela burguesia capitalista nacional.
Errada, porque o modelo agrário-exportador não se esgotou no início do século XX nem foi superado por uma burguesia nacional liberal nesse momento.
- B)Permaneceu intacto praticamente até o governo de Juscelino Kubitschek, comprometido com a modernização do país e o desenvolvimento nacional.
Errada, pois o modelo agrário-exportador não permaneceu intacto até JK; a grande virada ocorre a partir de 1930, com a crise da República Velha e o avanço da industrialização.
- C)Encontrou seu ocaso no contexto do Império, em plena “Era Mauá”, quando o capital estrangeiro, utilizado em larga escala deu novos ares à economia.
Errada, porque o ocaso do modelo não ocorreu no Império nem na chamada "Era Mauá"; o café e a lógica exportadora continuaram centrais por muito tempo depois disso.
- D)Permaneceu praticamente até a década de até 1930 e tinha como principais interessados na sua manutenção a classe de latifundiários, dentre outros.
Certa, porque o modelo agrário-exportador predominou até perto de 1930 e foi sustentado principalmente pelos latifundiários e demais grupos ligados à exportação agrícola.
Gabarito: D
O Brasil entrou no século XX ainda muito preso ao modelo agrário-exportador, baseado principalmente na exportação de produtos primários, com destaque absoluto para o café. Esse modelo vinha desde o período colonial e foi reforçado pela República Velha, quando a elite cafeeira comandava boa parte da política nacional. Não era uma economia diversificada e industrializada, mas sim uma estrutura voltada para vender matéria-prima ao exterior e importar manufaturados. O enunciado lembra justamente a política de valorização do café, como o Convênio de Taubaté, de 1906. A ideia era simples: como havia superprodução e o preço internacional estava caindo, o governo comprava os excedentes, sustenta o preço e protege os grandes produtores. Para bancar isso, recorreu a empréstimos externos e a impostos sobre a exportação. Ou seja, o Estado acabou funcionando como escudo dos cafeicultores. Por isso, a alternativa D está correta: esse modelo praticamente só começa a ser superado a partir de 1930, com a crise da República Velha e a ascensão de Getúlio Vargas, quando o país passa a incentivar mais fortemente a industrialização e a diversificação econômica. Antes disso, a lógica agrário-exportadora continuava mandando no jogo, com os latifundiários entre os principais interessados em manter tudo como estava. Em resumo: o Brasil mudou, mas foi devagar e com muita resistência das velhas elites rurais. O café reinou por décadas, e a política econômica da época foi desenhada justamente para proteger esse reinado.