Em meio àquele turbilhão, surgiu uma maneira de pensar e se expressar: a contracultura. Foi uma resposta às incertezas da época. O impacto sobre a juventude da época era tamanho que os empresários da indústria logo viram a oportunidade de grandes negócios. O que, de fato, ia contra os próprios valores da contracultura. Os grupos sociais formados por “jovens alternativos” rejeitavam os padrões comportamentais e as visões políticas de seus pares da primeira metade do século passado. Rejeitavam os seus símbolos de status e as mercadorias consumidas pela maioria dos jovens, como o carro do ano, as roupas da moda, os cabelos penteados e as músicas românticas. Defendiam uma ruptura com os valores dos adultos – adotados pelos jovens “caretas” – e lutavam pela existência de uma cultura juvenil própria. (Leonardo Calvano, 2000. Adaptado.) Todas as produções humanas podem servir de fontes históricas sobre uma sociedade. Conforme a historiografia foi se desenvolvendo, o conceito de fonte também se ampliou. É o caso, por exemplo, dos meios de expressão e de protesto utilizados pela contracultura na década de 1960, período marcado, respectivamente no Brasil e no mundo, por:
- A)Ditadura Militar e Guerra Fria.
Certa, porque no Brasil a década de 1960 foi marcada pela Ditadura Militar e, no mundo, pelo contexto da Guerra Fria.
- B)Sufrágio feminino e neoliberalismo.
Errada, porque sufrágio feminino remete a lutas anteriores e neoliberalismo é um fenômeno bem posterior à década de 1960.
- C)Desenvolvimentismo e neocolonialismo.
Errada, porque desenvolvimentismo pode até dialogar com o Brasil daquele período, mas neocolonialismo não caracteriza o recorte mundial pedido pela questão.
- D)Liberdade de expressão e ataques pioneiros ao terrorismo.
Errada, porque "liberdade de expressão" não nomeia um período histórico específico e "ataques pioneiros ao terrorismo" é anacrônico para a década de 1960.
Gabarito: A
A questão mistura dois cenários clássicos da década de 1960: no Brasil, o endurecimento do regime após o golpe de 1964 e a consolidação da Ditadura Militar; no mundo, o clima da Guerra Fria, com disputa ideológica, medo nuclear e contestação aos valores tradicionais. Nesse ambiente, a contracultura apareceu como uma reação cultural e política, sobretudo entre jovens, ao consumismo, ao conservadorismo e às formas de autoridade. Os movimentos hippie, os protestos musicais e a crítica ao "modo de vida" dominante nasceram exatamente dessa insatisfação com o período. Por isso, o enunciado está correto ao relacionar os meios de expressão e protesto da contracultura com a Ditadura Militar no Brasil e a Guerra Fria no plano internacional. A década de 1960 foi marcada por censura, repressão e disputa entre blocos, o que ajuda a entender por que tantos jovens buscaram linguagens alternativas de resistência. Em História, fonte não é só documento oficial: cartazes, músicas, roupas, filmes e manifestações também viram pistas importantes sobre a sociedade. Ou seja, a contracultura não foi só um estilo de roupa ou de cabelo; foi também uma forma de contestar o mundo ao redor. E, quando a banca coloca "respectivamente no Brasil e no mundo", ela quer exatamente essa associação: cenário interno autoritário brasileiro e cenário global da bipolaridade da Guerra Fria.