Os malês protagonizaram a maior das rebeliões escravas ocorridas na Bahia, quiçá no Brasil, mas também a última. Esses rebeldes realizaram o levante como uma rebelião escrava, mas também étnica e religiosa [...]. O levante fracassou por diversas razões. O mais grave, para eles [os rebeldes], porém, foi que seus inimigos eram muitos e se uniram: toda a população livre da Bahia – branca e negra, rica ou miserável – se articulou, por laços de interesse, solidariedade ou medo, contra a insurreição africana. (Lilia Moritz Schwarcz, 2015. p. 257.) Mobilizando cerca de 600 africanos escravizados que lutaram pela sua liberdade, nessa revolta:
- A)Apesar de apoiados por africanos não muçulmanos, que também entraram na luta, os malês foram os responsáveis por planejar e mobilizar os rebeldes.
Certa, porque os malês articularam o levante e contaram com apoio de outros africanos, inclusive não muçulmanos.
- B)Todos os africanos na Bahia, de uma forma ou de outra, participaram da revolta; no entanto, autoridades só perseguiram aqueles comprovadamente malês.
Errada, porque não participaram todos os africanos da Bahia e a perseguição não se limitou aos identificados como malês.
- C)A identidade religiosa foi importante para deslanchar o movimento, mas o mais importante era a identidade étnica dos participantes, que só poderiam ser malês.
Errada, porque a identidade religiosa foi central e a participação não se restringiu apenas a quem fosse malê.
- D)Os negros nascidos no Brasil também participaram, mas foram traídos, já que o objetivo era que a Bahia malê fosse uma nação africana tendo à frente os muçulmanos.
Errada, porque houve participação de negros nascidos no Brasil em algumas tensões da época, mas a revolta não tinha como projeto criar uma 'nação africana' sob esse formato.
- E)Uma outra revolta interna se travou: a dos negros devotos de uma maneira geral, dos devotos dos orixás que não admitiam de modo algum qualquer outra espécie de devoção.
Errada, porque reduz a revolta a uma disputa religiosa interna entre cultos africanos, o que não explica o sentido político e escravista do levante.
Gabarito: A
A Revolta dos Malês foi uma das mais importantes rebeliões urbanas do Brasil Império e ocorreu em Salvador, em 1835. Ela reuniu africanos escravizados, muitos deles muçulmanos, conhecidos como malês, e teve um forte componente religioso, étnico e também político, porque a luta era pela liberdade e contra a ordem escravista. A liderança e a organização do levante ficaram marcadas pela participação de africanos, especialmente iorubás e haussás islamizados, o que ajudou a dar coesão ao movimento. O ponto central aqui é que os malês não foram apenas uma revolta qualquer de escravizados: houve planejamento, articulação e mobilização de combatentes que compartilhavam vínculos culturais e religiosos. Por isso, a alternativa A acerta ao destacar que os malês organizaram e lideraram a insurreição, embora tenham tido apoio de outros africanos que não eram muçulmanos. A revolta fracassou porque houve delação, repressão rápida e união das camadas livres da Bahia contra os insurgentes. Esse detalhe aparece muito em questões: a elite, os livres pobres e até parte da população negra livre temiam o descontrole social e se alinharam contra o levante. Em resumo, foi uma revolta de escravizados, mas também uma revolta com identidade religiosa bem forte. Se você quiser fixar em uma frase: malês = africanos muçulmanos, Salvador, 1835, revolta planejada, reprimida e com grande impacto histórico. É um daqueles temas em que a banca gosta de misturar religião, etnia e participação ampla para testar se você percebe quem de fato liderou o movimento.