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Historia Mundial · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Historia Mundial

O elo entre os assuntos públicos e as artes é particularmente forte nos países onde a consciência nacional e os movimentos de libertação ou de unificação nacional estavam se desenvolvendo. Não foi por acaso que o despertar ou ressurreição das culturas literárias nacionais na Alemanha, na Rússia, na Polônia, na Hungria, nos países escandinavos e em outras partes coincidisse com [...] a afirmação da supremacia cultural da língua vernácula e do povo nativo, ante uma cultura aristocrática e cosmopolita que constantemente empregava línguas estrangeiras. (Eric J. Hobsbawm, 2007. p. 355-356.) A restauração monárquica, uma das propostas do congresso de Viena, encontrou resistência em grande parte da Europa Ocidental, e vários movimentos revolucionários eclodiram, ao longo da primeira metade do século XIX, muitos deles impulsionados:

Gabarito: C

Depois do Congresso de Viena (1814-1815), a ideia era recolocar a Europa no eixo do absolutismo e da ordem, como se a História fosse um móvel torto que os monarcas queriam endireitar com marreta. Só que o século XIX não cooperou muito: as ideias liberais e nacionalistas ganharam força e começaram a mexer com vários povos submetidos a impérios, reinos conservadores e fronteiras desenhadas no gabinete. Em muitos casos, o motor dos levantes foi o sentimento de identidade nacional, isto é, a vontade de um povo com língua, cultura e memória comuns de não continuar sob domínio estrangeiro. É aí que a resposta C faz sentido. Napoleão, ao invadir e reorganizar territórios europeus, espalhou também princípios da Revolução Francesa, como igualdade jurídica e fim de velhos privilégios, mas, ao mesmo tempo, provocou resistência local. Em vários lugares, a ocupação francesa despertou ou fortaleceu o nacionalismo: povos passaram a se reconhecer como nações e a rejeitar o controle externo. Esse caldo ajudou a alimentar revoltas e movimentos de unificação e libertação na primeira metade do século XIX. Esse processo aparece com força nas chamadas Revoluções de 1820, 1830 e 1848, além de movimentos ligados à unificação da Itália e da Alemanha e às lutas nacionais em áreas dominadas por impérios multinacionais, como o austríaco e o russo. Na prática, o que unia muita gente não era uma crise de identidade sem rumo, mas justamente o contrário: o desejo de afirmar uma identidade nacional contra a dominação política de fora. Então, se a questão fala de restauração monárquica, resistência europeia e levantes no século XIX, pense logo em liberalismo e nacionalismo. É o clássico embate entre a ordem do Congresso de Viena e as forças que queriam redesenhar a Europa com base nas nações.

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