Cláudio de Cicco escreve, ao abordar a figura do Faraó: “considerado um semideus, o faraó era senhor absoluto. Sabemos, por outro lado, que interpretava o querer da classe sacerdotal, a qual de fato detinha poderes sem limites. O regime egípcio era, pois, a monarquia com aristocracia, ou seja, o poder real era limitado pelo colégio sacerdotal.” (DE CICCO, Cláudio. Direito: tradição e modernidade. São Paulo: Ícone Editora, 1993.) O poder monárquico é concebido como um poder ativo, dinâmico, fonte da maior parte das maiores iniciativas; e ele, o Faraó
- A)na verdade não era visto como um “semideus”, mas sim e, propriamente, um “deus”. Esta sua posição estava em harmonia com a entranhada religiosidade dos egípcios.
Correta: o faraó era visto como um ser divino, coerente com a religiosidade egípcia e com a ideia de realeza sagrada.
- B)em hipótese alguma teve limitações ao exercício do poder real, decorrentes de vida pessoal, ou de outra esfera, já que era portador do cargo suprapessoal e divino da realeza.
Errada: embora o faraó concentrasse grande poder, havia limitações práticas e políticas, especialmente pela atuação de sacerdotes e elites.
- C)era subalterno apenas à classe dirigente e culta dos sacerdotes, já que eram os responsáveis pela construção do mito, no qual, eles, bem como o próprio Faraó, não acreditavam de fato.
Errada: o texto não indica que os sacerdotes fossem céticos quanto ao mito, e o faraó não era apenas subalterno a eles.
- D)a partir do que a ideologia real egípcia lhe confere, exerce o primeiro papel no desenrolar dos acontecimentos cósmicos e políticos do país, embora não tenha autonomia para se envolver com questões econômicas.
Errada: a ideologia real egípcia atribuía ao faraó também funções ligadas à ordem econômica e administrativa, não só cósmica e política.
Gabarito: A
No Egito Antigo, o faraó não era apenas um rei qualquer: ele era visto como uma figura sagrada, ligada ao divino, responsável por manter a ordem do mundo, a chamada Ma'at. Isso significa que o poder dele tinha um sentido político e religioso ao mesmo tempo. Então, quando a questão fala que o faraó exercia um papel central no desenrolar dos acontecimentos cósmicos e políticos do país, está seguindo exatamente essa ideia de realeza sagrada. Mas atenção: isso não quer dizer que ele governava sozinho como um super-herói imperial sem nenhum freio. Havia influência forte dos sacerdotes, dos nobres e da burocracia. Mesmo assim, na ideologia real egípcia, o faraó era a autoridade máxima, o ponto de partida das decisões e da estabilidade do reino. Por isso, a alternativa correta é a letra A. Ela acerta ao dizer que o faraó era considerado um ser divino, não apenas um humano elevado. Essa visão estava em harmonia com a religiosidade egípcia, em que o governante era entendido como representante dos deuses na Terra e peça-chave para a manutenção da ordem cósmica. Em resumo: no Egito, política e religião andavam de mãos dadas. Se a ordem do universo dependia do faraó, imagina a importância dele no governo. Não era só “mandar no país”, era também garantir que o mundo continuasse funcionando direito.