O Estado surgiria de um compromisso entre os indivíduos, da vontade do povo, e como tal deveria ser governado por representantes dessa vontade. Essa teoria influenciou a formação dos Estados nacionais latino-americanos no século XIX, como repúblicas que afirmavam obter seu poder da vontade popular, apesar de na realidade isso raramente acontecer. (Kalina Vanderlei Silva. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2009. p. 116-117.) O processo de formação dos países latino-americanos foi marcado pela instabilidade política. A substituição das antigas colônias espanholas por nações independentes apresentou dois problemas básicos: constituir Estados soberanos e organizá-los em meio às mais variadas tendências políticas. Nesse contexto:
- A)Os grandes proprietários rurais, através do apadrinhamento, garantiam o apoio integral da população na centralização do poder.
Errada, porque o apoio político não vinha de um verdadeiro consentimento popular generalizado, mas de redes de poder local e clientelismo.
- B)Os Estados Unidos acompanharam o processo de independência das colônias espanholas na América, auxiliando a implantação da democracia direta.
Errada, pois os Estados Unidos não implantaram democracia direta nas independências latino-americanas, e sua atuação foi muito mais limitada e interessada.
- C)O republicanismo foi o princípio político geral que norteou a formação de todos os Estados nacionais latino-americanos, possibilitando, de fato, uma participação popular.
Errada, porque o republicanismo foi muito mais uma referência formal do que uma participação popular real e efetiva.
- D)O surgimento do caudilhismo no quadro do processo de independência das antigas colônias espanholas acabou por gerar a necessária estabilidade política e social.
Errada, pois o caudilhismo, em vez de garantir estabilidade, foi uma das marcas da instabilidade política pós-independência.
- E)Na maior parte da América Latina, onde predominava uma estrutura latifundiária e as mais variadas formas de semiservidão, a independência pouco ou nada veio alterar, nesse sentido.
Certa, porque a independência preservou, em grande medida, a estrutura agrária concentrada e relações sociais desiguais, alterando pouco a realidade de base.
Gabarito: E
Quando as colônias espanholas da América conquistaram a independência no século XIX, o problema não era só trocar a bandeira. Era preciso criar Estados soberanos, definir quem mandava e, principalmente, tentar organizar sociedades muito desiguais e politicamente instáveis. No papel, muitas repúblicas adotaram ideias liberais e constitucionais, falando em soberania popular e representação. Na prática, porém, isso ficou longe de virar participação ampla de verdade. A base social da maior parte desses novos países continuou sendo o latifúndio, com grande concentração de terras e poder nas mãos de elites locais. Além disso, persistiram formas de dependência do trabalho, como a semisservidão, que mantinham camponeses e populações rurais presos a relações muito desiguais. Ou seja: mudou a independência política, mas a estrutura social quase não virou o jogo. Por isso, o item E está correto. Ele resume bem a realidade latino-americana pós-independência: a emancipação não desmontou, de imediato, o velho mundo colonial de privilégios, concentração fundiária e hierarquias sociais. Em muitos lugares, a independência foi mais uma troca de centro político do que uma revolução social profunda. Esse cenário ajuda a explicar a instabilidade, o poder dos caudilhos e a dificuldade de construir democracias efetivas. Em termos históricos, a retórica republicana existia, mas a inclusão popular era muito limitada, algo bem distante da promessa liberal de soberania do povo.