Na história, o avanço para o social foi estimulado pela influência de dois paradigmas de explicação dominantes: o marxismo, por um lado, e a escola dos Analles, de outro. Com essa inspiração, os historiadores da década de 1960 e 1970 abandonaram os mais tradicionais relatos históricos de líderes políticos e instituições políticas e direcionaram seus interesses para as investigações da composição social e da vida cotidiana de operários, criados, mulheres, grupos étnicos e congêneres. (HUNT, 2001, p. 02.) As correntes historiográficas são orientações para abordar o estudo da história como ciência, desenvolvido a partir do século XIX. Com a nova visão da história como ciência, os historiadores se tornaram uma classe profissional e foram estabelecidas várias teorias e métodos que hoje são conhecidos como tendências historiográficas. Ao nos referirmos especificamente à Escola dos Analles, podemos afirmar que:
- A)Através da preponderância da história da cultura, surge com essa escola uma proposta de apoio à inspiração marxista onde se rejeita a dedicação ao estudo das mediações morais.
Errada, porque os Annales não se definem por apoio à inspiração marxista nem por rejeição ao estudo das dimensões morais como eixo central da escola.
- B)É uma corrente que considera que a história não é constituída apenas por fatos, nem por categorias, nem pelos protagonistas desses fatos, pois nada mais é do que o resultado das relações de poder.
Errada, pois descreve uma visão mais ligada às relações de poder em sentido amplo, mas não caracteriza especificamente a Escola dos Annales.
- C)Nascida na França, seus historiadores resgatam a história, a ciência histórica, como protagonista do estudo e da pesquisa e da explicação dos eventos cotidianos sem o envolvimento de outras disciplinas.
Errada, porque os Annales nasceram na França e justamente valorizaram a interdisciplinaridade, não a exclusão de outras disciplinas.
- D)Seus pensadores consideram toda a realidade como o produto de uma evolução histórica; por isso, o passado é essencial, preferindo o uso de documentos oficiais na interpretação da pesquisa e da escrita da história.
Errada, pois não se resume ao uso de documentos oficiais nem à ideia de que o passado deve ser lido apenas por uma evolução histórica linear.
- E)Tal escola propunha, dentre outros fatores, a inclusão de uma política que envolvesse tudo que fosse referente ao ser humano, voltados para o lado social e classes marginalizadas, as renegadas pela pesquisa científica histórica até então.
Certa, porque expressa a ampliação do objeto da História para a vida social, os grupos marginalizados e o cotidiano, marca típica da Escola dos Annales.
Gabarito: E
A Escola dos Annales nasceu na França, no século XX, e mudou o jeito de fazer história. Em vez de olhar só para reis, guerras e tratados, ela ampliou o foco para a vida social, a economia, a cultura e o cotidiano. Ou seja: a história deixou de ser apenas a narrativa dos “grandes homens” e passou a observar também gente comum, estruturas e processos de longa duração. Essa mudança foi muito importante porque aproximou a História de outras ciências humanas, como Sociologia, Geografia e Antropologia. Braudel, Bloch e Febvre são nomes centrais dessa renovação historiográfica. A ideia era entender o passado de forma mais ampla, considerando aquilo que sustenta a vida em sociedade, e não só os fatos políticos mais barulhentos. Por isso o gabarito é a letra E. Ela acerta ao dizer que a escola passou a incluir o ser humano em sua dimensão social, valorizando grupos marginalizados e temas antes ignorados pela historiografia tradicional. Isso combina exatamente com a proposta dos Annales: ampliar objetos, fontes e problemas históricos. As demais alternativas escorregam em pontos importantes: algumas aproximam a escola do marxismo de forma indevida, outras reduzem sua proposta a documentos oficiais ou negam a interdisciplinaridade, o que contraria diretamente essa corrente.