Os objetivos de controlar a informação e de promover a imagem do governo Vargas não nasceram com o Estado Novo, tendo sido vislumbrados desde os primeiros tempos, quando, em 1931, foi criado o Departamento Oficial de Publicidade. Não parece ser estranho a essa iniciativa o surgimento de canções populares exaltando a figura de Getúlio, dentre as quais se destaca “Gê-Gé (seu Getúlio)”, de Lamartine Babo, composta em 1931 e cantada por Almirante, com estes versos de abertura: “só mesmo com revolução, graças ao rádio e ao parabelo, nós vamos ter transformação neste Brasil verde e amarelo,” aos quais segue a enunciação soletrada do nome de Getúlio com uma inventiva impossível de reproduzir num texto escrito. [...] (Boris Fausto. Getúlio Vargas: o poder e o sorriso. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 115-117.) Amado ou odiado, o estadista Getúlio Vargas (como outros, em outras épocas e lugares) construiu a sua imagem através do controle dos meios de comunicação, e isso muito antes do Estado Novo. Especificamente no contexto da “Era Vargas”, a propaganda:
- A)Visava influenciar opiniões e/ou comportamentos, divulgando ideias com mensagens direcionadas à alteração de atitudes ou até mesmo ao engajamento da população nas ações pró-governo.
Certa: define a propaganda como instrumento de persuasão e mobilização pró-governo, exatamente como ocorreu na Era Vargas.
- B)Submetia-se à apreciação do Congresso Nacional, que tinha a função de escolher o coordenador do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público).
Errada: o Congresso não escolhia coordenadores do DIP nem do DASP, e esses órgãos não funcionavam sob esse modelo de apreciação parlamentar.
- C)Utilizava as cartilhas, que foram o principal instrumento usado por Getúlio durante todos os seus governos e destinavam-se ao público em geral, distribuídas nas residências, repartições públicas e até em igrejas.
Errada: cartilhas não foram o principal instrumento de propaganda de Getúlio em todos os seus governos, e a descrição do uso amplo e padronizado está imprecisa.
- D)Era coordenada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão que engajava os demais detentores das informações no Brasil, em um trabalho assíduo e comprometido com as mais diversas tendências políticas.
Errada: o DIP centralizava a propaganda oficial, mas não tinha a função de engajar detentores de informação em pluralidade de tendências políticas.
- E)Ficava à cargo do DIP, que, apesar de repudiar as manifestações contrárias ao governo Varguista, era isento de ideologias ao divulgar as ações que ocorriam no país, mantendo um nível de informações bastante confiável.
Errada: o DIP era um órgão de propaganda e censura, portanto não era ideologicamente neutro nem confiável no sentido de neutralidade informativa.
Gabarito: A
Na Era Vargas, a propaganda não era enfeite: era ferramenta de governo. A ideia era moldar a opinião pública, reforçar a imagem de Getúlio como líder central e criar apoio social para as ações do Estado. Isso aparecia em jornais, rádio, cartazes, músicas e campanhas oficiais, tudo com uma mensagem bem calculada para convencer, emocionar e, claro, disciplinar a população. Esse movimento começou antes mesmo do Estado Novo, quando o governo já percebia o poder dos meios de comunicação. Depois, com a criação do DIP, essa lógica ficou ainda mais forte: controlar o que circulava e vender uma imagem positiva do regime. Ou seja, propaganda aqui não significa só informar, mas persuadir, induzir comportamentos e construir consenso político. É por isso que a alternativa A está correta. Ela descreve exatamente essa função da propaganda: influenciar opiniões e comportamentos, divulgar ideias e incentivar atitudes favoráveis ao governo. É o tipo de resposta que casa direitinho com o uso político da comunicação no varguismo. As demais alternativas escorregam em detalhes históricos ou exageram em aspectos que não correspondem ao período. Em prova, quando aparecer Vargas, rádio, DIP e culto à imagem, pense sempre em controle da informação e fabricação de apoio político. É quase um pacote completo da política de imagem do período.