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Historia Mundial · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Historia Mundial

Brasileiros do norte! Quando os vossos irmãos do sul aclamaram esse europeu por seu imperador, foi com a cláusula expressa de imperar sobre um povo livre, de quem ele se intitulou seu perpétuo defensor. Se os do sul aceitam da tua mão o vil projeto de constituição, que deveriam considerar um novo insulto, depois da dissolução do congresso. Se finalmente querem ser teus escravos engana-te, sultão, pois no sul ficará circunscrito o teu império. Entretanto, vós, ó brasileiros do norte, habitantes do Equador [...] defendei vossa honra, gritando impávidos resolutamente: Não queremos um imperador criminoso, sem fé nem palavra. Viva a Confederação do Equador! Viva a constituição que nos deve reger! (Ulisses C. Brandão, 1978. p. 37.) No contexto da famosa Confederação do Equador, a dissolução da Assembleia e a outorga da Carta Constitucional reacenderam sentimentos presentes no nordeste, principalmente em Pernambuco, desde a Revolução de 1817, a saber:

Gabarito: C

A questão trata do clima político que fermentou no Nordeste, especialmente em Pernambuco, desde a Revolução de 1817 e explodiu na Confederação do Equador, em 1824. Depois da Independência, muita gente na região esperava um Brasil mais autônomo, com menos concentração de poder no Rio de Janeiro e mais espaço para as províncias. Quando D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte e impôs a Carta de 1824, isso foi visto como autoritarismo puro e simples, quase um "não me venham atrapalhar" imperial. Por isso, a insatisfação pernambucana vinha carregada de três ideias centrais: antilusitanismo, porque havia rejeição à influência política portuguesa e à elite ligada a Lisboa; federalismo, porque as províncias queriam mais autonomia diante do centro; e republicanismo, porque muitos líderes do movimento já defendiam romper com a monarquia. Não era um movimento apenas de elite do jeito tradicional, mas um foco de contestação ao modelo centralizador do Império. A Carta Constitucional outorgada por D. Pedro I reforçou esse mal-estar, pois não surgiu de uma assembleia livremente debatida e representativa. A Constituição de 1824 criou um Estado unitário e centralizado, com o Poder Moderador, o que acentuou a percepção de que o imperador concentrava demais o poder. Em outras palavras: se a Assembleia foi fechada e a Constituição veio pronta, o pessoal do Nordeste entendeu isso como motivo extra para resistir. Assim, o gabarito C está correto porque reúne exatamente os sentimentos políticos mais fortes ligados à Confederação do Equador e às revoltas pernambucanas do período: antilusitanismo, federalismo e republicanismo. É a combinação que melhor traduz a rejeição ao centralismo imperial e ao projeto político de D. Pedro I.

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