Antes da ocorrência da Reforma Religiosa, o catolicismo mantinha amplo domínio sobre a fé em terras europeias. As alternativas ao catolicismo se apresentavam em outras religiões de base não cristã como o budismo, o hinduísmo e o islamismo. Porém, essas alternativas estavam muito distantes de se espalhar grandemente pela Europa a ponto de quebrar o monopólio católico. As ameaças mais sérias ao catolicismo ocorreram a partir do surgimento de novas religiões cristãs, consequência do processo de Reforma. Considerando as religiões derivadas da Reforma, assinale, a seguir, a relação correta entre a religião e suas características.
- A)A religião luterana defendia a caridade como único critério de salvação.
Errada, porque o luteranismo defendia a salvação pela fé, e não pela caridade como critério único de salvação.
- B)A junção de poder político e religioso foi amplamente defendida por todos os reformadores.
Errada, porque os reformadores não defenderam de forma uniforme a junção entre poder político e religioso.
- C)A religião calvinista apresentou a ideia de riqueza como uma bênção de Deus, o que atraiu grande parte da burguesia.
Certa, porque o calvinismo valorizava trabalho, disciplina e riqueza como possível sinal da bênção de Deus, o que agradou muito à burguesia.
- D)O anglicanismo surgiu na Alemanha, pois o rei, Henrique VIII, queria romper o seu casamento com Catarina de Aragão.
Errada, porque o anglicanismo surgiu na Inglaterra, não na Alemanha, ligado ao rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica.
Gabarito: C
A Reforma Religiosa, no século XVI, rompeu a unidade do cristianismo ocidental e deu origem a novas vertentes, como o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo. Cada uma delas trouxe críticas ao catolicismo e propostas diferentes sobre salvação, autoridade religiosa e relação com o poder político. Não era um pacote único: os reformadores discordavam entre si em vários pontos, então cuidado para não jogar tudo no mesmo saco. No luteranismo, a salvação não vinha da caridade como mérito, mas da fé em Deus, pela ideia de "justificação pela fé". Já a ligação entre Estado e religião não foi uma defesa uniforme de todos os reformadores; isso variou bastante conforme o lugar e o líder político envolvido. Ou seja, a história não funciona como se todo mundo assinasse o mesmo contrato ideológico. A alternativa correta é a C porque o calvinismo valorizou a disciplina, o trabalho e a ideia de que a prosperidade material poderia ser entendida como sinal da bênção divina. Essa visão combinou muito com os interesses da burguesia, especialmente por estimular vida regrada, trabalho constante e valorização do êxito econômico. Max Weber, em sua leitura clássica, associou essa ética ao espírito do capitalismo. Já o anglicanismo não surgiu na Alemanha, e sim na Inglaterra, com Henrique VIII, que rompeu com Roma por razões políticas e também pessoais. Então, se a questão tentar misturar país, rei e reforma, desconfie: é quase sempre pegadinha.