Segundo Prodanov: “Absolutismo e Mercantilismo são dois parceiros que andarão juntos durante a Idade Moderna, até que a burguesia deixe de apoiar o rei e sua política e torne-se revolucionária”. (Cleber Cristiano Prodanov. O Mercantilismo e a América. São Paulo: Contexto, 1998, p. 16.) A junção de Absolutismo e Mercantilismo caracterizou a Idade Moderna e recebeu o nome de Antigo Regime. A respeito do Antigo Regime e utilizando-se dos dizeres da citação, assinale, a seguir, os motivos que levaram a burguesia a apoiar e, posteriormente, abandonar o rei.
- A)Ampliar seus mercados, o que encontrou dentro do Antigo Regime. Tornou-se revolucionária devido à descoberta da América.
Errada: a ampliação de mercados ajuda a explicar o apoio inicial da burguesia, mas a ruptura não ocorreu por causa da descoberta da América.
- B)Garantir liberdade para o seu comércio, o que encontrou dentro do Antigo Regime. Tornou-se revolucionária devido ao advento das ideias socialistas.
Errada: a burguesia queria liberdade comercial, mas não se tornou revolucionária por ideias socialistas, que são bem posteriores.
- C)Garantir liberdade para o seu comércio, o que encontrou dentro do Antigo Regime. Tornou-se revolucionária, pois foi atraída pelo pensamento Iluminista.
Errada: a primeira parte está correta, porém a burguesia não rompeu por atração ao pensamento Iluminista de forma isolada, e sim por rejeição aos entraves do mercantilismo e do absolutismo.
- D)Criar uma nova ordem econômica diferente da vivenciada na Idade Média, em que o lucro era condenado pela Igreja e a burguesia via poucas possibilidades de crescimento. Tornou-se revolucionária, a partir do momento que identificou que o Mercantilismo apresentava entraves ao desenvolvimento da economia, como o controle exacerbado do Estado.
Certa: a burguesia buscou romper com os limites econômicos herdados da Idade Média e depois se voltou contra o controle estatal do mercantilismo, que travava seu crescimento.
Gabarito: D
O Antigo Regime foi a combinação típica da Idade Moderna entre poder político centralizado, com o rei forte, e uma economia marcada pelo mercantilismo. Na prática, a burguesia apoiava essa estrutura porque ela dava estabilidade ao comércio, criava mercados, fortalecia a moeda e, muitas vezes, protegia os interesses dos negociantes com tarifas, monopólios e expansão colonial. Só que esse apoio tinha prazo de validade. Quando o Estado absolutista passou a controlar demais a economia, cobrando impostos, regulando excessivamente a produção e travando a iniciativa privada, a burguesia começou a enxergar o rei mais como obstáculo do que como aliado. Aí a relação azedou: de parceira do trono, ela passou a defender mudanças políticas e econômicas. É por isso que o gabarito é a letra D. Ela acerta ao mostrar dois momentos: primeiro, a burguesia queria romper com os limites da Idade Média, em que o lucro era condenado pela moral religiosa e as oportunidades eram restritas; depois, percebeu que o mercantilismo e o controle forte do Estado limitavam o desenvolvimento econômico. Ou seja, a burguesia apoiou o rei enquanto isso ajudava seus negócios e o abandonou quando passou a atrapalhá-los. Em linguagem de prova: absolutismo e mercantilismo andavam juntos no Antigo Regime, mas a própria burguesia foi mudando de lado quando o Iluminismo e as revoluções liberais passaram a defender liberdade econômica, propriedade e redução da intervenção estatal.