Transcorrida a vitória eleitoral, em outubro de 1955, e a posse de JK em janeiro de 1956, o país viveu momentos de tensão política e incertezas quanto ao desfecho da transição. O presidente Café Filho, com problemas de saúde, afastou-se do cargo em novembro de 1955 e em seu lugar assumiu Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados. Enquanto isso, articulou-se uma conspiração que impediria Juscelino de chegar à presidência. O General Teixeira Lott, ministro da Guerra, defensor da legalidade constitucional, desbaratou a conspiração. (NETO, 2011. P. 894.) Ainda que tenha sido tumultuado esse início de governo, JK governou por todo o mandato (1956-1960), num período marcado, dentre outros fatos, pelo(a):
- A)Política externa que defendia a total independência do Brasil na política e na economia internacionais.
Errada, porque JK não defendeu independência total na política e na economia internacionais, já que seu governo abriu espaço para o capital estrangeiro.
- B)Investimento pesado em obras de infraestrutura, muitas vezes subvencionadas pelo capital estrangeiro
Certa, pois o governo JK ficou marcado pelo Plano de Metas, com grandes obras de infraestrutura e forte participação de investimentos externos.
- C)Implantação de medidas econômicas e sociais ultranacionalistas que inauguravam uma maior intervenção do Estado em todos os setores.
Errada, porque não houve um programa ultranacionalista de ampla intervenção estatal em todos os setores, mas sim um projeto desenvolvimentista com abertura ao capital privado.
- D)Contradição política, caracterizada pelo alinhamento ideológico com grupos de esquerda e compromissos econômicos com a burguesia industrial.
Errada, porque JK não teve alinhamento ideológico com grupos de esquerda; seu governo buscou conciliar industrialização, burguesia industrial e capital estrangeiro.
Gabarito: B
O governo Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1960, ficou conhecido como um período de otimismo desenvolvimentista. A ideia central era fazer o país crescer rápido, com o famoso "50 anos em 5", apostando em industrialização, rodovias, energia e abertura ao capital externo. Era o tempo de Brasília, das grandes obras e de uma economia que corria atrás do atraso com muita pressa. Isso ajuda a entender por que a alternativa B está correta. JK priorizou fortemente a infraestrutura, com destaque para transporte, energia e indústria de base, dentro do Plano de Metas. Para viabilizar esse projeto, o governo recorreu bastante a investimentos estrangeiros e ao incentivo à entrada de capitais internacionais, especialmente em setores estratégicos e na indústria automobilística. Ou seja, não foi um governo de isolamento econômico nem de radicalização ideológica. Pelo contrário: foi um projeto desenvolvimentista, conciliando Estado indutor, capital privado e forte presença de empresas estrangeiras. Em linguagem de prova, pense em crescimento acelerado, obras públicas e modernização econômica com apoio externo. Em termos doutrinários, a historiografia costuma classificar o período como nacional-desenvolvimentista, associado ao Plano de Metas e à expansão da infraestrutura. Esse é o coração da questão: JK simboliza a modernização acelerada do Brasil, e não uma política externa autárquica ou uma agenda socialista.