Dizia o pensador Jacques Bossuet: “se Deus retirar sua mão o mundo voltará ao nada, ao vazio; se a autoridade do príncipe deixar-se de sentir no reino, tudo e todos cairão no caos da maior confusão”. (Jacques Bossuet. Politique tirée des propres paroles de l’Écriture sainte. Publicado postumamente em 1709. Tradução dos autores: Política das Sagradas Escrituras. In: Severiano Montero. História de las CIvilizaciones. Madrid: Akal Ediciones, s/data, p. 201. Adaptado.) A afirmação de Bossuet inaugurou uma justificativa para o poder do rei na Idade Moderna. Porém, uma ideia semelhante à desenvolvida por Bossuet existia em povos antigos. “O nome da teoria de Bossuet e o povo antigo no qual se pode encontrar similaridade com sua teoria são _____________________, sendo algo parecido existente ____________________.” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
- A)da Divisão dos Poderes / na Roma Antiga
Errada: a Divisão dos Poderes é uma ideia oposta ao absolutismo de Bossuet e se associa mais a Montesquieu do que a reis sacralizados.
- B)da Divisão dos Poderes / na Mesopotâmia
Errada: a Mesopotâmia teve monarquias antigas, mas a formulação clássica da teoria de Bossuet não se vincula a esse contexto na forma cobrada pela questão.
- C)do Poder Divino dos Reis / no Egito Antigo
Certa: Bossuet defende o Poder Divino dos Reis, e o paralelo histórico mais conhecido é o faraó no Egito Antigo, com autoridade sagrada.
- D)do Poder Divino dos Reis / na Grécia Ateniense
Errada: a Grécia Ateniense é marcada por experiência política mais ligada à participação cidadã e democracia, não ao poder divino do rei.
Gabarito: C
Jacques Bossuet foi um dos grandes defensores do absolutismo monárquico. Para ele, o rei governava por direito divino: sua autoridade vinha de Deus e, por isso, deveria ser obedecida como parte da ordem natural do reino. A ideia era simples e poderosa: se o poder do rei enfraquece, reina a desordem. Esse raciocínio foi muito útil para justificar os monarcas absolutos da Idade Moderna. Embora Bossuet tenha formulado isso no contexto europeu moderno, a noção de soberano escolhido ou legitimado pelos deuses já aparecia em civilizações antigas. O exemplo clássico é o Egito Antigo, onde o faraó era visto como uma figura sagrada, ligada aos deuses e com autoridade política e religiosa ao mesmo tempo. Ou seja, não era só um governante forte, mas um rei com caráter divino. Por isso, a alternativa correta é a letra C: a teoria de Bossuet se relaciona com o Poder Divino dos Reis, e um paralelo histórico disso aparece no Egito Antigo. A banca quer que você perceba a ponte entre o absolutismo moderno e a sacralização do poder em sociedades antigas. As outras opções tentam confundir com ideias de organização política posteriores ou com civilizações que não se encaixam nessa lógica de rei sagrado. Aqui, o ponto central é lembrar que Bossuet não defende divisão de poderes, mas sim concentração e legitimação religiosa da autoridade real.