Pereira Passos transformou a cidade bárbara em metrópole digna da civilização ocidental. Qual o homem do começo do século que, recordando os benefícios que então se espalhavam sob esta terra querida, não se lembra da frase que andou na boca do povo, pelas ruas, pelas casas, pelos cafés, nas saudações que se trocavam, no estribilho das canções e que dizia assim: O Rio civiliza-se? Civilizou-se o Rio. (Luiz Edmundo. Rio de Janeiro do meu tempo. Rio de Janeiro: Conquista, 1957. In: História Antiga e Medieval: Reforma urbana de Pereira Passos. Disponível em: histantigamedieval.blogspot.com.) A reforma urbana empreendida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, no governo de Rodrigues Alves, contextualiza de certa forma:
- A)O movimento Tenentista, que defendia, além dos interesses da classe, os direitos da classe média urbana.
Errada, porque o Tenentismo é um movimento dos anos 1920, posterior à reforma de Pereira Passos e bem distante desse contexto.
- B)A Revolta da Armada, quando a Marinha se viu preterida nos cargos de comando, outorgados num primeiro momento ao exército.
Errada, porque a Revolta da Armada ocorreu na década de 1890 e envolveu a Marinha contra o governo federal, não a reforma urbana do Rio.
- C)A Revolta da Vacina quando o descontentamento popular já era patente e se acirrou ainda mais com a campanha da vacinação obrigatória.
Certa, porque a reforma urbana e sanitária de Pereira Passos criou o ambiente de revolta que culminou na Revolta da Vacina em 1904.
- D)A Greve Geral de 1917, que tinha como pano de fundo a emergência da luta proletária, incialmente no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Errada, porque a Greve Geral de 1917 está ligada ao movimento operário e à industrialização, não à reforma do Rio no governo Rodrigues Alves.
Gabarito: C
A reforma urbana de Pereira Passos, no início da República, foi a cara do projeto de modernização do Rio de Janeiro: abrir avenidas, derrubar cortiços, “embelezar” a capital e tentar aproximá-la dos padrões europeus. O problema é que essa modernização veio com exclusão social, remoções forçadas e forte intervenção sobre a população pobre, que já vivia sob tensão com o poder público. É nesse clima que a Revolta da Vacina faz sentido. Em 1904, o governo Rodrigues Alves, com ações sanitárias conduzidas por Oswaldo Cruz, impôs a vacinação obrigatória em meio a uma cidade já irritada pelas reformas, pelas demolições e pela forma autoritária de agir do Estado. Ou seja: não foi só a vacina que inflamou a crise, mas o pacote completo de intervenção urbana e sanitária. Por isso o gabarito é a letra C. A reforma de Pereira Passos contextualiza diretamente o descontentamento popular que explodiu na Revolta da Vacina, quando a população reagiu à vacinação obrigatória e ao autoritarismo das medidas de “civilização” da capital. É aquele caso clássico em que o governo queria higienizar a cidade, mas acabou vacinando a população contra a paciência. As outras alternativas falam de momentos históricos diferentes, sem relação direta com essa reforma. Então, se o enunciado citar Rodrigues Alves, Pereira Passos, Oswaldo Cruz e “Rio civiliza-se”, pense imediatamente no cenário da Revolta da Vacina.