A crítica fundamental e que tem sido repetida inúmeras vezes por historiadores, especialmente os que se dedicam ao ensino, é a de que a História do Brasil tem sido ensinada visando a construir a ideia de um passado único e homogêneo, sem atentar para os diferentes setores sociais e étnicos que compõem a sociedade brasileira. Constatam, muitas destas críticas, que a ideia de um povo homogêneo com um passado único se consolidou por intermédio da difusão de que somos um povo caracterizado pela democracia racial. Sobre influência da teoria da democracia racial na História, é INCORRETO afirmar que:
- A)Em sua face mais perversa, esta teoria serviu para dissimular as desigualdades sociais e econômicas, e para justificar a situação de miséria de grande parte da população: um povo mestiço, que carrega os males de uma fusão de grupos selvagens indolentes e de negros africanos submissos e sem vontade própria, sem desejos de vencer na vida.
Correta: mostra como a teoria pode mascarar desigualdades e reforçar explicações preconceituosas e naturalizadas sobre pobreza e submissão.
- B)O pressuposto da democracia racial, presente ainda em muitas das produções didáticas e incorporado pela tradição escolar, não mais é um aspecto que demanda reflexão sobre o seu significado, pois não transformaria os estudos da História do Brasil, nem forneceria critérios científicos para ultrapassar o sentido dogmático de que tem sido revestido.
Errada: o pressuposto da democracia racial ainda merece reflexão crítica e influencia sim a forma de ensinar e entender a História do Brasil, então negar isso é incorreto.
- C)Serviu para fortalecer a ideia de uma História Nacional caracterizada pela ausência de conflitos, reforçando uma ideia de que não somos e nem fomos um povo guerreiro (a própria Independência foi pacífica, assim como a libertação dos escravos) e, internamente, vivemos sem problemas decorrentes de racismos, preconceitos étnicos, discriminações e exclusões.
Correta: a ideia reforça uma narrativa de país sem conflitos raciais e com uma história pacificada, o que suaviza ou apaga racismo e exclusões.
- D)As interpretações da obra de Gilberto Freire, “Casa Grande e Senzala”, passaram a ser introduzidas no ensino de História do Brasil. A miscigenação entre senhores e escravas, as ações cristãs de senhores que concediam alforria a seus filhos nascidos nas senzalas, dentre outras características forneciam os elementos para provar a democracia racial entre nós.
Correta: relaciona bem a influência de interpretações de Casa-Grande & Senzala com a difusão da miscigenação como prova de harmonia racial.
Gabarito: B
A ideia de democracia racial no Brasil ficou famosa com a leitura de Gilberto Freyre e acabou sendo usada, por muito tempo, como se o país tivesse resolvido naturalmente seus conflitos raciais. Na prática, essa visão ajudou a criar uma imagem bonita no papel e bem problemática na vida real: a de um povo supostamente harmonioso, sem racismo estrutural, sem exclusões e sem grandes tensões sociais. Isso entrou com força no ensino de História e muitas vezes apagou desigualdades concretas.